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Foi a maternidade que me ensinou a pedir ajuda dos outros, depois de uma vida inteira orgulhosamente construindo minha independência e autossuficiencia.

Precisar contar com os outros para conseguir fazer as tarefas mais simples e banais do meu cotidiano, como tomar banho e ir ao banheiro, foi uma mudança para a qual eu não havia me preparado e não tive período de transição para me adaptar.

A humildade envolvida no ato de pedir ajuda me tornou uma pessoa diferente do que eu era antes de ser mãe, mais consciente de minhas limitações.

Assim foi durante os anos de minha jornada como mãe. Contar com uma complexa rede de apoio, formada por familiares, amigos, babá, escola e diversos outros profissionais, me parecia ser a única alternativa viável.

Mesmo para uma mulher forte como eu. Mesmo para quem tem um desejo tão grande de ser independente, como eu.

Até que veio a pandemia e sua imposição de isolamento social, inclusive o isolamento total em alguns períodos. Contrariando tudo o que eu julgava já ter aprendido sobre a maternidade, foi necessário reformular minhas certezas para conseguir cuidar sozinha de minhas filhas.

Surpreendentemente, descobri que é possível dar conta do trabalho e das responsabilidades sem ajuda de ninguém sim. Claro que não é simples nem indolor.

Assim que me for possível assumir qualquer postura diferente de uma super heroína indestrutível, terei que enfrentar uma enorme conta a ser cobrada de minha condição emocional e psicológica.

Mas até que me seja permitido resgatar minha vulnerabilidade, só me resta estabelecer limites e prioridades na rotina insana dos dias infinitos sozinha com minhas pequenas.

Se tivessem me dito, no início de 2020, que eu seria capaz de cuidar das minhas filhas sozinha, eu não teria acreditado. Se tivessem me alertado que isso seria necessário, eu teria tentado construir uma realidade diferente da minha para não estar sozinha nessa situação.

Se tivessem tentado antecipadamente me dar dicas, me encorajar ou me preparar, eu não teria dado atenção. Mas como o destino não costuma dar aviso prévio de suas intenções, aqui estou eu, aprendendo exatamente o oposto do que eu julgava saber sobre a maternidade.

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Marcia do Valle
É mãe, carioca e engenheira. Começou a escrever para tentar harmonizar o que sentia com o mundo que a cercava. A partir daí, nunca mais parou, publicando o seu primeiro livro em 2005, o romance 180 Graus (Editora Marco Zero). Em fevereiro de 2020, foi lançado pela Editora Adelante seu segundo livro, uma antologia de textos sobre amor, saudade, e outros sentimentos que transbordam de suas palavras: Onde guardo as bobagens que eu contava só para você?. Após escrever em blogs e diversas páginas da internet, atualmente divulga os seus textos no instagram @marciadovalleescritora.

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