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Hoje estava iniciando meus trabalhos em home office e fui inundada por um sentimento de amor por todas aquelas que um dia já gestaram, as que estão gestando e as que gestarão.

Amanhã faço 30 semanas e meu corpo já não me pertence há bastante tempo. No início, comidas que eu adorava e os momentos de refeição que sempre foram tão prazerosos já não eram os mesmos. Eram invadidos por náuseas, gases e desconfortos… 

O corpo ainda não tinha mudado de forma, mas ele já me sinalizava que iria andar, à revelia de minha vontade, por caminhos nunca antes percorridos. E esses desconfortos foram somados às inseguranças da pandemia.

Fui afastada do trabalho e me senti sem chão, me senti perdendo o que tinha até então. Fiquei sem saber como ficaria a minha situação financeira e profissional e como seriam tantos meses em isolamento.

Passaram-se os primeiros meses de gestação e com eles as náuseas. Consegui retornar ao trabalho em home office e, com isso, veio a sensação de que as coisas começaram a se ajeitar. 

Segundo trimestre e a barriguinha estava se insinuando.

Os ultrassons já me mostravam o pequetito que eu carrego dentro de mim. A gestação estava mais palpável e confortável. E um dia, após um ultrassom em que o médico me mostrou as mãozinhas, os pés, o rostinho e todos os detalhes possíveis de se ver, meu coração e mente transbordaram de um amor e alegria que eu ainda não havia sentido.

Passei a noite em claro de tanta euforia: tinha me tornado mãe efetivamente naquele momento. Me senti completamente conectada àquela nova vida que pulsava em mim.  

Os meses foram passando e o terceiro trimestre chegou com uma barriga enorme. Fui perguntada pela primeira vez sobre a gravidez (afinal, em isolamento, não vejo quase ninguém)…

Fui sentir os primeiros toques tímidos em minha barriga, daqueles muito próximos e que já desejavam há tanto fazer isso, mas que, devido ao covid, se sentiam intimidados a oferecer e receber qualquer tipo de contato (assim como eu também).

Toques ligeiros, repletos de cuidados de higiene, envoltos em álcool, máscaras e o maior distanciamento possível, mas cheios de amor… Nesse momento da gestação também foram chegando mais mensagens, presentes, afetos… Ahhh, como isso tem preenchido meu coração e meus dias. 

Deve-se dar muito amor às gestantes, mesmo que de longe. Isso, pois estamos mudando a cada dia. Inseguranças diversas vão aparecendo, dúvidas, medos… Somos assombradas de diferentes formas. E carinho, acolhimento e apoio são fundamentais, mesmo em épocas de isolamento social. 

Hoje, novamente com vários desconfortos e inseguranças, mas também sentindo esse ser tão amado, que faz de meu útero parque de diversões, me veio esse amor a todas as gestantes.

Amor por todas que passaram, as que estão passando e as que passarão por tudo isso à sua maneira.

Algumas com mais desconfortos, outras com menos, umas com mais apoio, outras com menos… Mas todas nós vitoriosas, unidas pela magia e pelos desafios que envolvem gestar um ser humano, um amor, uma entrega (ou mais de um, no caso de gestações múltiplas).

Sintam-se todas abraçadas. 


Autora: Joana Cajazeiro 

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