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A maternidade me atravessa. Não sei quem eu era antes de virar mãe. Sei que sou mulher. Gozo como mulher, transpiro, sofro, brinco, sensualizo como mulher. Mas ser mãe, ah é algo que transversaliza. 

Sou mãe em tantas partes de mim que não saberia onde começo e onde termina minha materna-idade. Por isso, sinto essa saudade absurda da minha mãe. Porque ao conversar sobre maternagem, gostaria de escuta-la. Não apenas em sonhos, mas também como tantas vezes ficávamos aos domingos, lendo.

Eu e minha mãe tínhamos o hábito de ler juntas. Não líamos nada “intelectual”, líamos Sabrina, Julia, contos para mulheres. Mas fazíamos costas com costas. Víamos filmes, escutávamos músicas. Barry White, Tim Maia, seus preferidos. Uma terra de mulheres: eu, minha irmã e ela. 

E hoje: eu e minha filha. Nova Terra de mulheres. Lemos, vemos filmes, editamos vídeos, ela lê minhas poesias, vê minhas fotos, me admira e me critica. Eu admiro sua coragem e sua vivacidade. Nas conversas sobre maternidade com minhas amigas eu choro. Choro porque transbordo de amor e de dor. 

Maternar tem um pouco de tudo: de amor, de dor, de coragem, de risada, de maldade. Sobretudo, tenho a oportunidade de fazer as  pazes com mãe que tive através da mãe que sou. 

Maternar é guerrear, é batalhar, é atravessar o fogo, é chorar, como choro escrevendo esse texto. Hoje sinto saudade do colo dela que atravessou o rio e o mar para que eu pudesse apenas respirar. Minha mãe. 

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