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Como todos devem estar acompanhando nos veículos de comunicação e nas redes sociais, durante todo este mês estará acontecendo a campanha Setembro amarelo, uma campanha de desdobramento do Dia Mundial de prevenção ao suicídio, que aconteceu no dia 10 do mesmo mês. Criada em 2014 pelo Centro de Valorização pela Vida em conjunto com a Conselho Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psicologia, a campanha trata de conscientizar a população sobre a importância de se falar sobre a prevenção do suicídio, ato que tem se tornado corriqueiro, inclusive entre as crianças e adolescentes no Brasil. Segundo dados da OMS, a taxa de suicídio entre a faixa etária de 10 a 19 anos vem crescendo consideravelmente. Mas como evitar que isso aconteça? Como falar deste assunto tão complexo com as crianças?

Abordar este tema na escola é uma tarefa delicada, mas de suma importância no atual cenário que vivemos. Muitas pessoas pensam que é melhor evitar tratar o tema e não tocar no assunto com os pequenos. Contudo, sabemos que muitos casos de doenças que podem levar ao suicídio tem seu início na infância, entre as crianças e dentro da escola.

Então, porque não, iniciar essa conversa de prevenção na escola?

A escola é um dos principais espaços de convivência de crianças e adolescentes e por esse motivo, pode ser uma grande aliada na campanha, podendo realizar ações que levem a prevenção do suicídio. Temos observado em nossas escolas diversos casos de bullying, ciberbullying, depressão, assim como relações familiares tóxicas e conturbadas dentre outros problemas com nossas crianças. Muitas crianças e adolescentes apresentam sinais de mudança de comportamento, humor, apetite. Muitas das vezes não são percebidos  e ou compreendidos pelas suas famílias.  Em alguns casos, essas crianças tornam-se agressivas e em outros, apáticas e ou depressivas. Tais mudanças de comportamento, não acontecem de uma hora para outra, mas muitos podem não estar preparados emocionalmente para lidar com questões tão difíceis.

A mudança no rendimento escolar pode ser uma grande pista para mostrar que crianças e adolescentes estão precisando de ajuda, mas muitas vezes é vista como preguiça ou dificuldade  ou transtornos de aprendizagem de aprendizagem. 

Logo a escola precisa se reconhecer como um potencial ambiente de formação para a educação emocional, atuando em parceria com as famílias, estimulando o diálogo, combatendo o preconceito e a discriminação,  que muitas vezes levam a criança a depressão e ao suicídio, ensinando aos alunos que é possível lidar com problemas e auxiliando-os a aprender a abrir-se emocionalmente para encarar as adversidades da vida de maneira positiva.

Mas como promover a campanha nas escolas?

  • Palestras: Organizando palestras com psicólogos para professores, funcionários e responsáveis, assim como, para os adolescentes. Para as crianças é possível falar sobre o assunto usando a ludicidade através de um teatro de fantoches;
  • Roda de conversa: momento para tirar dúvidas e falar sobre seus sentimentos;
  • Trabalhar habilidades emocionais: através de jogos, brincadeiras, arte ou escrita;
  • Incentivar o convívio amistoso: promovendo festas, gincanas e atividades culturais que envolvam o corpo docente, alunos e responsáveis;
  • Atividades que promovam a qualidade de vida e o bem estar:  ações sócias 
  • Acompanhe de perto os alunos: observando o que falam e que podem sugerir sentimentos suicidas, inclusive nas suas redes sociais, como as frases: “eu preferia estar morto”, “sou um perdedor”, “não posso fazer nada”; 

Mais quais sinais de risco, nossas crianças podem apresentar?

  • Perda de interesse pelas atividades de costume;
  • Falar constantemente sobre morte;
  • Demonstrar agitação, irritabilidade ou agressividade;
  • Abandonar amizades e atividades sociais;
  • Não ter responsabilidade, inclusive com os estudos;
  • Apresentar consumo de álcool ou drogas;
  • Aparentar ter um plano de suicídio;
  • Apresentar olhar, postura e gestos atípicos.

Caso o aluno apresente alguns dos fatores de risco? Como a escola deve proceder?

  • Estabeleça uma relação de confiança, ouvindo a criança;
  • Demonstre interesse em ajudar;
  • Não deixe a criança sozinha;
  • Contate a família e oriente a buscar ajuda profissional.

Onde buscar ajuda profissional?

A escola ao observar algum caso típico de aluno suscetível ao suicídio,  deve contatar as famílias que não devem ignorar as observações da escola. Caso a criança ou adolescente seja acompanhado por um Pediatra, as famílias devem conversar com o médico sobre o comportamento de seu filho,  observados pela escola. Em muitos casos, o pediatra encaminha para uma avaliação com o Psicólogo.

 O Centro de Valorização da Vida, em seu site www.cvv.org.br, tem disponível diversas ferramentas para auxiliar o trabalho com os pequenos e também ajudar a quem lida com a criançada. Ele também disponibiliza o número 188 para ligações gratuitas de telefone fixo ou celular para pessoas que querem conversar, com o máximo de sigilo.  Já o Ministério da Saúde, no site www.saude.gov.br preparou materiais especiais para conscientizar sobre essa questão e que podem ser usados com toda a comunidade escolar. Os CAPs e as unidades básicas de saúde em alguns casos, também podem ajudar. 

É importante que professores e demais funcionários estejam atentos aos sinais de alerta, principalmente quando manifestados em conjunto, e observando quando a criança precisa de ajuda.

Ignorar o tema não evita o suicídio, por isso ações de prevenção são sempre bem vindas, e precisam acontecer durante o ano inteiro, e não apenas durante o setembro amarelo. A prevenção vem através da informação!

Trabalhar a saúde mental de nossas crianças é primordial para no futuro termos adultos emocionalmente saudáveis. Cuidemos das nossas crianças!

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