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É muito comum ouvirmos relatos de mulheres dizendo: “ninguém ensina ser mãe!”. Aliás, eu mesma já disse por diversas vezes tais palavras.

Hoje, com o passar do tempo, e uma certa maturidade, posso dizer que sim, se soubéssemos ler as pessoas, principalmente as mães solo, as mães pretas, as mães pobres e as mães solo pretas e pobres, saberíamos como é ser mãe.

Sim, pois elas, a todo momento, precisam ser fortes. Devem estar prontas para o afronte, afinal, hoje em dia só engravida quem quer.

Elas têm de estar preparadas, pois não podem parar de trabalhar para repousar, organizar o enxoval, comparecer às consultas pré-natais… pelo contrário, precisam trabalhar ainda mais para garantir que não falte nada a essa vida que logo se agregará a sua.

Se olhássemos de verdade para a vida de uma dessas mães, aprenderíamos que ser mãe é ser forte o tempo todo (mesmo quando o corpo não aguenta mais, mesmo quando a alma parece estar desconectada do resto, mesmo quando tudo que ela queria era não estar ali, mas ela não pode dizer, nem pensar, pois será julgada por isso pelo resto da vida).

Ser mãe é dar um jeitinho quando não tem ninguém pra ficar com o bebê quando ele adoece, é enfrentar o olhar do patrão que acha que está te fazendo um favor, é não esmorecer quando não aguenta, mesmo achando que não dá mais.

Ah, a maternidade… vamos do céu ao inferno e voltamos ao paraíso num piscar de olhos!
Costumo dizer que a vida, em todos os sentidos, ainda é muito injusta para nós, mulheres.

Quer ter filhos? Case-se primeiro! Nasceu? Pare de trabalhar! Não vai mais trabalhar? Então, dê conta! Só um filho? Não faça isso, conceda um irmãozinho. Grávida de novo? Tá louca! O mundo está muito difícil. É caro manter um filho, que dirá dois. Três filhos? São do mesmo pai? E por aí vai…

Famílias “bem estruturadas” – segundo a visão da sociedade-, podem escolher e moldar sua casa conforme bem entenderem e todos os seus passos serão sempre aplaudidos com louvor.

Isso não quer dizer que mães, brancas, casadas e com boa situação econômica não sofram, a gente sabe que sofrem também, mas é aquele tal negócio do privilégio, ele está ali e influencia as consequências desse papel tão importante de ser mãe.

Toda mãe tem um pouco (ou muito) a ensinar. Umas, em como ser e se inspirar; outras, que nem todo mundo nasce pra ser mãe, e está tudo bem!


Autora: Natália Maria Souza Veloso, sou professora e mãe de três (Raul,13; Maria Flor, 8 e Madalena, 2).


Texto revisado por Vanessa Menegueci.

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