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E eu que sempre tive sede por justiça social, desvelamento de preconceitos enraizados, dentre outras inúmeras questões que não se fala tanto, de repente, virei mãe. E que universo desafiador. Eu ainda não compreendo nenhuma razão pela qual uma mulher precisa reprimir tudo o que sente só porque virou mãe. Essa romantização das dores e sofrimentos femininos tem que acabar.

Essa transformação é incrível, mas tem outras facetas. Numa pesquisa feita pela FGV, em 2019, o apontamento foi de que 50% das mulheres que retornam de licença maternidade são demitidas. Alguns psicólogos e outros estudiosos mencionam 80%. Isso é alarmante e cruel. E a busca por um novo lugar no mundo profissional também trará dificuldades.

Em entrevista, você será questionada se tem quem fique com seu bebê, se ficar doente, quem o socorrerá. Então, além de uma construção de laço afetivo que não é automático, mães precisam criar rotinas, pensar em estratégias, elaborar planos, A, B, C, D, alfabeto inteiro e etc. E claro, precisam de reinventar para ter uma renda básica.

E o pai? Meus amores, pais podem viajar por um cruzeiro de volta ao mundo, vendo o filho esporadicamente por vídeo, pode ir morar na Arábia Saudita por alguns anos, pode postar duas fotos do filho por ano e nunca sequer ser questionado. Esta normalização precisa ter fim.

Mulheres são fortes, mas não são de aço. Podem levar tiros, golpes e continuarem seguindo, porém as marcas, cicatrizes, sequelas, jamais serão apagadas. Ser mãe é estar sempre em segundo plano. Assim é o certo, assim fomos ensinadas. Dor do parto? Que nada! Dor da invisibilidade materna, isso sangra! Seguimos, mães, solteiros e fortes.

Sempre fortes! Sempre, tá? Sempre!

Por Gisele Zampieri – @gisele.zampieri83

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