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Maternar é uma maratona silenciosa. Você acorda preocupada com um choro que apareceu no meio do seu sono, parecendo estar distante, e em questão de segundos seu instinto materno te acorda e você percebe que é seu bebê querendo mamar ou só avisando que acordou — ele quer ver o dia, tirar a fralda molhada e sorrir para você. 

Você se planejou para abrir os olhos e fazer aquela oração de gratidão que aprendeu na Yoga. Mas nem sempre é  possível, alguém precisa de você com urgência, e até  poderia esperar um minuto, mas sua vontade de fazer algo por aquele pequeno ser é  maior do que qualquer plano ou desejo. São  apenas seis horas da manhã. Vai alimentá-lo, trocá-lo, aconchegá-lo e protegê-lo. 

Pode ser que ele durma ou queira brincar, queira ouvir sua voz, sentir seu toque. E logo será hora do banho, do almoço, da mamada, do soninho. Fala ao celular, assiste algo, conversa e já é noite. Talvez nem tenha feito metade daquelas tarefas planejadas no dia anterior. Pode parecer que é tranquilo, afinal, você  está em casa, sem trabalhar, sem ter que bater meta. Mas, na verdade, sua meta é  conseguir compreender um pequeno ser que não sabe falar, sabe emitir sons, enrijecer  os músculos e te dizer que precisa de você 24 horas. 

Sua meta é conseguir deixá-lo vivo, saudável, tem que ganhar peso e se desenvolver. Você tem que saber qual livro faz sentido para ele, qual cor consegue enxergar agora, saber qual roupa serve, qual já perdeu sem usar, o que precisa comprar, a fralda do tamanho ideal e saber sanar a cólica. 

Então, assim se foi mais um dia! Já é noite e o bebê dormiu, você  pensa em fazer algo agora para si, mas seu corpo dói, seus braços, ombros, cabeça, tudo te mostra que precisa dormir, descansar. Seu bebê  pode acordar e você  precisa estar bem. Lembra que não marcou o dentista para ver aquele seu dente que quebrou na gravidez. A lua está linda e hoje você nem tirou foto daquele ser tão lindo. Agora tudo é  silêncio e você conseguiu seu lugar ao podium. Mas hoje não tem medalha, nem prêmio nem dinheiro. Só — talvez — uma certeza de dever cumprido. 

Maternar é  sua missão  de vida, amanhã você  acorda um pouco antes para fazer sua oração.


Autora: Gisele Zampieri – @gisele.zampieri83

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