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Chegamos ao último texto da série “Mães Narcisistas”. A partir dela pudemos passar brevemente por vários assuntos que permeiam o tema, assim, construímos conhecimento juntos e nos demos a chance do desenvolvimento pessoal para que sejamos capazes de ajudar e sermos ajudados, algo de extrema importância quando abordamos transtornos psíquicos.

Há algum tempo o termo “rede de apoio” tem ficado mais em evidência e muito relacionado aos assuntos ligados à maternidade, como o puerpério. Porém, a rede de apoio é necessária em toda situação que diz da vulnerabilidade de pessoas. Seja por questões sociais, financeiras, psicológicas, situações pontuais, ou não. A rede de apoio é preenchida de instituições, grupos, profissionais e outros indivíduos que estejam dispostos e disponíveis a fornecer ajuda de diversas maneiras. Assim, potencializamos as possibilidades do sujeito em vulnerabilidade, dando suporte em diferentes pilares da sua vida para que tenha base e se desenvolva, se refaça, reconstrua e, principalmente, sinta-se acolhido e compreendido.

Quando falamos sobre Mães Narcisistas e de Transtorno de Personalidade Narcisista, precisamos falar da importância da rede de apoio.

A dificuldade de se realizar um diagnóstico, no caso em questão, está em “convencer” o sujeito que é preciso procurar ajuda. Tal informação não será recebida de forma compreensiva, e é possível prever isso com base nos sintomas que falamos nos outros textos. Por conta disso, haverá resistência, agressividade e a evidência de uma incompreensão frente ao que foi dito.

O TPN é uma condição crônica, mas existem meios de tratamento que ajudam o indivíduo a conviver com o transtorno. Para isso, é preciso a busca de profissional habilitado para realizar um diagnóstico, neste caso, médico(a) psiquiatra. Dessa forma, se faz a prescrição medicamentosa, que deverá ser consistente e adequada a cada caso, pois em alguns haverá mais de uma condição mental envolvida, como a depressão, por exemplo. Além disso, a psicoterapia deverá ser parte do tratamento e assim formamos uma rede de cuidados, onde esses profissionais e outros trabalhem juntos no cuidado integral do caso.

Esse seria um cenário ideal, mas sabemos as dificuldades desses fatores acontecerem, por conta da resistência do sujeito, das condições psíquicas que o transtorno envolve e por conta do encontro de profissionais que tenham olhar cuidadoso e integral para a situação que não envolve só 1 indivíduo, mas um meio social. Além disso, há fatores financeiros que por diversas vezes dificultam ou tornam impossíveis os tratamentos necessários.

Por conta disso, precisamos pensar em outros tipos de cuidado, como o tratamento daqueles que convivem com a situação e na busca da rede de apoio que atenda às suas necessidades.

Haverá inúmeros casos de filhos de mães narcisistas e suas histórias podem se assimilar em muitos pontos, mas cada caso é um caso. Assim, quem sabe o que é preciso para si, é a pessoa envolvida na situação. Porém, acho de extrema importância a procura por profissional da saúde que seja habilitado e que entenda do assunto para início de uma construção de rede de apoio. A partir destes, alguns braços irão aparecer, como os grupos terapêuticos, indicações de outros profissionais que podem contribuir e outros que possam suprir necessidades caso a caso.

Como fazer isso? Bom, a minha primeira dica é: quando for procurar psiquiatra e/ou psicólogo(a), que será início de uma construção de rede, pergunte se ele sabe sobre o assunto e se é a sua especialidade. É seu direito saber como e com o que o profissional trabalha!  Além disso, em casos onde não se tenha a viabilidade financeira, há instituições que fornecem esse tipo de atendimento com valores sociais e/ou gratuitos, como as Universidades, em suas clínicas escola. Entre em contato e pergunte, questione, coloque a sua necessidade. O momento de pedir ajuda é o mais difícil, que envolve uma série de medos e receios que, por muitas vezes, podem te bloquear, mas é o primeiro passo mais importante que pode ser dado. 

Sabemos que é muito difícil alguma mudança na mãe narcisista, mas no filho há possibilidade de suporte e transformação. Afinal, não podemos “corrigir” a vida da mãe, mas podemos ressignificar a vida do filho, de forma saudável, consciente e amorosa, algo que muito lhe faltou.

Fale com alguém que se sentir mais confortável, conte a sua história, as suas necessidades. Quando comunicamos, criamos possibilidade de ajuda e de melhora. Só assim é possível nos reconstruirmos frente às dificuldades da vida. Quando somos Rede, somos mais fortes.

Assim, encerramos a série Mães Narcisistas, mas o contato não se perde. Me coloco à disposição para dúvidas, informações e questões que surgirem. Fiquem a vontade para entrar contato comigo que terei imenso prazer em ajudar no que for preciso. Enquanto falarmos, seremos evolução!

Beatriz é uma das psicólogas parceiras da revista e está disponível para atendimento a mulheres e LGBTQI+ em São Paulo e Santos. Facebook: Beatriz Ferreira Pinto – Psicologia e Instagram @beatrizferpi_psicologia/.

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