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Mulheres passam por oscilações hormonais mensais durante grande parte de suas vidas. Este fato acaba sendo naturalmente incorporado na vida de cada uma. Para algumas, o mais difícil é a oscilação de humor. Para outras, o desconforto físico, como cólicas e dores de cabeça. Para uns, isso é motivo para piadas e preconceito. Para a sociedade, pode ser um fator de segregação devido à pobreza menstrual. Os diversos pontos de vista sobre este mesmo assunto comprovam que esta realidade já é de conhecimento geral, elemento normal e esperado na vida das mulheres.

Entretanto, a dinâmica hormonal mensal não prepara a mulher para a avalanche de hormônios que são descarregados no corpo da mulher na gravidez, parto e puerpério. É impossível não notar as alterações no corpo da mulher nesse período. Entretanto, a maior parte das atenções costuma ser direcionadas ao bebê, sendo observadas, no máximo, as mudanças visualmente aparentes no corpo materno. Mesmo a própria mãe tende a priorizar a criança e limitar sua atenção a si mesma principalmente aos pontos que asseguram o bom desenvolvimento do bebê, como a amamentação.

Nesse contexto, a saúde mental da mãe não é enxergada, muito menos priorizada. Entretanto, é um período no qual os hormônios podem contribuir para comprometer a saúde mental da mãe, principalmente no puerpério. Diversos casos de depressão pós parto, ou baby blues, sequer são diagnosticados, muito menos tratados.

É necessário apoio e, eventualmente, tratamento, tanto para a mãe que chora todos os dias ao amamentar, quanto para a que não se acha capaz de cuidar do bebê, ou a que se sente impotente esmagada pela nova rotina de privação de sono. É necessária compreensão e empatia para a grávida com alterações no comportamento resultantes da enxurrada de hormônios inéditos, sacrificando ora somente seu bem estar, ora o relacionamento com o companheiro, comprometendo o sonho e planejamento de formação de uma família que levou à gravidez. É imprescindível ser rede de apoio para a mãe solo que sente a chegada da responsabilidade de cuidar sozinha de uma criança como um tijolo caindo sobre sua cabeça, sem que ela tenha a opção de desviar ou dividir a dor com ninguém.

Diante de todas as dificuldades da gravidez e puerpério que são potencializadas pelas alterações hormonais, é importante falar da saúde mental das mães na campanha de janeiro branco. Nossa sociedade precisa enxergar e cuidar das mães, principalmente as puérperas, para que elas também tenham a possibilidade de começar o ano com objetivos e planos, no chamado janeiro branco.


Texto revisado por Luiza Gandini.

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Marcia do Valle
É mãe, carioca e engenheira. Começou a escrever para tentar harmonizar o que sentia com o mundo que a cercava. A partir daí, nunca mais parou, publicando o seu primeiro livro em 2005, o romance 180 Graus (Editora Marco Zero). Em fevereiro de 2020, foi lançado pela Editora Adelante seu segundo livro, uma antologia de textos sobre amor, saudade, e outros sentimentos que transbordam de suas palavras: Onde guardo as bobagens que eu contava só para você?. Após escrever em blogs e diversas páginas da internet, atualmente divulga os seus textos no instagram @marciadovalleescritora.

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