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Não sei o motivo, mas sempre me senti inapropriada para falar sobre maternidade. Até pouco tempo atrás eu não falaria sobre isso porque eu ainda não havia sido mãe. Esse é um bom motivo, em princípio. 

Depois de ter gerado por nove meses e de ter colocado uma vida a mais no mundo eu pensava: é cedo, sou inexperiente. Ainda que a experiência de gerar uma vida tenha gerado em mim outra vida. Não é o bastante, pensava eu. 

O que posso falar sobre maternidade do lugar de recém-mãe? O que poderia dizer sobre meses de vida que, ao mesmo tempo em que voam, parecem uma eternidade? Cada dia guarda em si um aprendizado meu (ou vários), um aprendizado do meu filho (ou vários), alguma dificuldade, o fim de uma fase e o início de outra, um cansaço que às vezes dói, uma felicidade que não se explica, um amor que se constrói e cresce a cada minuto. Passou só um dia, e não sou mais a mesma pessoa. Agora passou um ano. Será que já posso falar sobre maternidade? 

Qual maternidade?

Certamente, posso falar da minha experiência como mãe. (Atravessada por uma pandemia sim, diferente do que eu imaginava, longe das minhas pessoas, meu filho sem os colinhos que eu queria que ele tivesse recebido, é verdade. Mas não é sobre isso que eu falar). 

Quero falar da grandiosa proeza (e da imensa responsabilidade) que é fazer uma pessoa. Colocar no mundo um ser que pode fazer do mundo um lugar melhor. Sem expectativas, eu espero que sim. Nos últimos 365 dias, passei pela jornada de redescobrir a mim como pessoa. Reencontrar, no meio das fraldas e mamadeiras, meus livros. Achar, entre os meus discos, a chupeta que estava perdida. Encontrar meu companheiro no fim do dia e, entre bocejos e olheiras, olhar as fotos do nosso guri enquanto ele dorme. E babar: é bonita a nossa cria. E perceber: virou pai. Virei mãe. Estamos na luta para entregar ao mundo uma boa pessoa. 

O que aprendi

Um ano sendo mãe e descobri que nem tudo que falam sobre a maternidade é verdade. Ou pelo menos não para mim. Não acho que a próxima fase seja sempre a mais difícil, como ameaçam: “você vai ver só quando ele…”. Parece que na próxima fase nos aguarda o chefão, como em um vídeo game. Eu acho sim que ser mãe dá trabalho e é cansativo. Mas não acho difícil. Não acho que eu deva temer qualquer fase. Porque temer a vida acontecendo? Ao alcance da mão e de dentro do meu colo? Ou ensaiando os primeiros passos? Uma vida que tem a pele macia, muitas dobrinhas e o melhor sorriso com dois dentes. Uma vida que de tão potente veio pra dar um novo sentido para minha vida. 

Publicado originalmente no Diário de Santa Maria


Autora: Juliana Petermann. Professora na Universidade Federal de Santa Maria. Publicitária. Nas terças, assino a coluna Plural no Diário de Santa Maria. Mãe do Moreno. Instagram: @petermannjuliana  

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