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Sempre trabalhei demais e também sempre fui apaixonada pela minha empresa, mas quando meu filho mais velho nasceu, tudo mudou, me perdi totalmente! Não conseguia conciliar maternidade com o mundo corporativo e para ajudar, em 2017, meu marido perde o emprego e vai embora para o Ceará. Devido a minha gigantesca culpa materna, decido jogar meus 18 anos de trabalho para o alto e acompanhar minha família. Ao chegar no Ceará, engravido da minha filha mais nova que hoje tem 10 meses, resumindo, tenho 2 filhos aos 40, cuido da casa e deles praticamente sozinha, pois família toda mora em São Paulo, esse confinamento está bem difícil, mas sigamos juntas!

Diante dessa pandemia, lembrei de algo que muitas mulheres após o parto passam, o puerpério! Levando em consideração o que estamos vivendo hoje, acredito que ambos tenham muitas coisas em comum.

Posso resumir essa experiência como um pulo para o abismo do seu próprio ser. Os pensamentos são lançados na parede e voltam com toda força para você.
Somos engolidos por uma rotina linda e entediante enquanto a nossa mente viaja para um mundo jamais acessado. No meio ao caos, da nostalgia e da ansiedade, tentamos nos reconectar com o presente.

Reclusão como oportunidade de aproveitar o furacão de sentimentos e encarar de frente o desafio de se descobrir, de se humanizar, saber se perdoar, ganhar consciência e finalmente construir uma estrutura capaz de suportar a insustentável leveza do ser quem se é e qual a nossa real função nesse planeta. Assim como a puérpera, esse resguardo vai terminar um dia, e de que forma voltaremos para o mundo?


Autora: Letícia Lastri, 40 anos, casada (em crise). Tenho o Henrique de 5 anos e a Elisa de 10 meses.

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