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Ei, mãe de criança pequena! Eu venho do futuro com notícias para você. Digo que venho do futuro porque sou mãe de uma criança pequena também, mas tenho um filho adulto, de 24 anos. E isso é fundamental para que eu faça um exercício diário para balizar a educação da pequena.

Eu vivi com ele a fase do puerpério, a fase da mamada que doía até a alma, a fase da retirada da mamadeira (bem traumática, por sinal). Vivi a fase das birras, da entrada na escola, do choro sem parar por qualquer coisa, dos “conselhos” de todo mundo com as melhores formas de fazer o que eu fazia, tentando acertar. Mas sempre foi muito engraçado ver como alguém sempre tinha um jeito melhor de fazer. 

Passei pela fase das formaturas, das primeiras namoradas (e das seguintes também). Eu vi ele sofrer a primeira decepção amorosa. Eu o vi fazer matrícula por três vezes na faculdade (na terceira ele ficou. Ufa!). Mas quero falar de algo muito especial. Eu o vi se perdendo. Eu o vi irreconhecível. Eu olhava e não o via. O procurava e não achava. Eu o vi cometendo os maiores erros, me desesperei, eu me vi sem chão. E eu o vi voltando, eu o vi retornando aos poucos, abandonando as coisas que  o afastam do que eu considerava ideal para a vida dele. 

Por que estou contando isso aqui?  Para te dizer que considero que a base que oferecemos é fundamental para o que eles vão se tornar. Mas também para dizer que aprendi uma grande lição sendo mãe dele, e que me ajuda demais com a educação da pequena: eu aprendi que eles traçam seus próprios caminhos, que se distanciam demais daquele filho ideal que criamos em nossa mente assim que engravidamos. 

Que eles precisam caminhar por caminhos que não são os que escolhemos. Que a maior dificuldade na maternidade não é a incansável troca de fraldas, nem a amamentação, nem as birras. A maior dificuldade é aceitar que eles não são o que idealizamos, que eles têm suas próprias vontades, personalidades, tomam suas próprias decisões. E que a nós, cabe o amparo, o ninho sempre ali, pronto para recebê-los. 

Cabe o diálogo, aliás, os vários diálogos, as conversas mais abertas e claras, a escuta, o lugar de segurança. Cabe viver os vários lutos ao longo do crescimento deles, a cada vez que vemos o filho ideal morrer.

Mas cabe a maior felicidade do mundo quando os vemos fazendo a coisa certa. O peito se  enche de orgulho. 

Cabe o coração explodindo de alegria quando ele me manda uma mensagem com a nota das provas, com os livros que está lendo, quando ele compartilha o que está aprendendo, quando ele se torna a minha rede de apoio com a pequena e por aí vai.

Vim do futuro para te dizer para continuar. Faça o melhor que puder, plante as sementes que darão frutos no futuro, mas acima de tudo, esvazie os bolsos de toda expectativa, de toda culpa e de toda vontade de ser perfeita. Seja a mãe que você puder ser. Crie muitas memórias, crie  enquanto eles são pequenos, os laços que no futuro unirão ainda mais vocês. 

Esteja emocionalmente preparada para a fase em que eles se afastarão de vocês. E esteja de braços abertos para quando eles começarem a voltar. Sim, porque se os laços foram construídos, eles voltam sim. E ame! Ame com toda a sua força e energia!

Autora: Por Lilian Prada – Instagram: @prada_lilian.

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