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Esses dias eu caí no choro. Mais um entre tantos da maternidade. Esse foi bem dolorido. Mas, vou explicar melhor.

Depois de mais de um ano, estou tentando voltar a trabalhar. Digo tentando, porque quem tem filhos pequenos conhece o drama. E quem os tem e trabalha de casa sabe mais ainda. Eu e meu marido abrimos uma empresa, contratamos minha irmã (que mora numa casa atrás da minha). Comecei a trabalhar em todos os intervalos que posso, entre eles… quando o neném acorda de madrugada, quando estou amamentando, quando o neném dorme e quando o mais velho está na escola.

O neném cresceu um pouquinho, fez oito meses e agora engatinha e se aventura pela sala. Minha participação na empresa começou a crescer, e eu tenho cada vez mais trabalho. Tentei várias vezes fazer um acordo com o marido, pedi para ele se organizar e me dar uma hora e meia por dia sem crianças para eu trabalhar, não conseguiu (ou não quis, nunca vou saber, prefiro acreditar no que dói menos para manter meu casamento). Então, vou me virando, me ajustando, perdendo banho, sono, comida (menos peso, esse estou ganhando!).

Só que eu sou ser humano e não mulher maravilha, e vou ficando cansada e mal humorada. Esses dias meu marido e eu estávamos no escritório (vulgo sala de casa), ambos trabalhando. Eu em um computador, ele no outro, e o bebê brincando, engatinhando e subindo nas coisas. Eis que pá –o bebê caiu de costas no chão, bateu a cabeça. Peguei no colo, ele chorou e eu chorei muito também. Corri com ele para o quarto, larguei tudo, fechei a porta e meu marido foi atrás, olhei para ele em prantos e pedi demissão.

Expliquei, já nervosa, que não consigo dar conta do neném e do trabalho. Ele assustado perguntou se eu quero revezar, se eu quero que ele me ensine o trabalho dele, daí eu faço e ele fica com as crianças metade do tempo. Só que não. Não é isso que eu quero. Se eu fizer a parte dele, quem faz a minha parte? E eu me pego pensando que não é justo. Não é justo eu ser a parte que tem que se virar para conciliar as crianças e o trabalho.

Ele pode marcar reuniões em qualquer horário, sair para trabalhar em horário comercial numa boa enquanto eu tento me equilibrar entre mamadas, dodóis, manhêeeessss e crianças querendo meu computador e meu celular. Empresto para um o celular e tento amamentar e digitar.

Enquanto faço um dormir, trabalho mais um pouco. Mas, não é justo.

E não adianta pedir e implorar e conversar. Ele não consegue organizar o dia dele para me dar sequer uma hora de trabalho. E ainda me cobra atenção nos horários que as crianças dão uma folguinha e eu consigo fazer alguma coisa. E assim a vida segue. Minha carreira pelo menos avança uns centímetros.

Estou cansada e não é justo.

Autora: Anônimo.

 

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