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Ellen é de São José dos Campos, São Paulo. Tem 23 anos, é mãe e trabalha com tatuagem desde os 14. Seu primeiro contato com a arte foi aos 11, depois disso, veio a maternidade. E para ter um espaço adaptado para que pudesse ter sua filha por perto, resolveu abrir seu próprio atelier. Ela sente que está atrás dos outros profissionais, pois seu tempo é dividido, entre estudo, trabalho, militância e maternidade. Conversamos um pouco com a artista que conta sobre sua rotina.

“A tatuagem é uma forma de descolonização. Elas contam histórias, têm significados e, muitas vezes, isso é tido como banal, mas marcar a pele de alguém… é uma arte que me encanta”.

Mães que Escrevem: Como é ser mulher, mãe e indígena na sua área?

Ellen: Tatuagem, o ramo mais machista que já presenciei. Tenho 2 mil histórias de assédio de estúdios que trabalhei, sofri um relacionamento super abusivo com um tatuador também, outro artista me roubou todo cachê da expo que fizemos juntos. Meu ambiente de trabalho é adaptado para ser mãe. Em meus dias, meus concorrentes estão 10 passos à frente e eu não vou conseguir alcançar. Sobre ser indígena e periférica, a invisibilidade sufoca. Já as dificuldades são: não ter o material mais “top” porque crio uma filha sozinha.  Fui sabotada por metade das pessoas que confiei e ensinei.

Mães que Escrevem: Você é tatuadora há quanto tempo? O que mais gosta na sua profissão?

Ellen: Em 2019 fez 10 anos que estou nessa profissão, nunca trabalhei com mais nada além disso e me orgulho muito por toda a trajetória autodidata que segui até aqui. Não me encaixo em nenhum seguimento de estilo, todo meu trabalho é autoral.

Mães que Escrevem: Como, quando e por que começou a trabalhar com tatuagem?

Ellen: Meu primeiro contato com a tatuagem foi aos 14 anos. Desenhei uma tattoo para um amigo e o tatuador disse que eu precisava muito aprender, e disponibilizou um dia da semana para me ensinar tudo o que ele sabia.

Mães que Escrevem: Como é a sua rotina sendo mãe e trabalhando por conta?

Ellen: Levo minha filha para a escola de manhã, e trabalho neste período que ela está lá. Depois a busco, e levo para o estúdio onde continuo meu trabalho, todo o estúdio é adaptado para que ela fique à vontade. O tempo que tenho livre para fazer minhas encomendas é de madrugada, onde eu também tiro um tempo para estudar.

Mães que Escrevem: Como é a sua rede de apoio em relação à maternidade? Aliás, você tem uma?

Ellen: Minha rede de apoio no momento é minha família. Meus pais me ajudam bastante, além disso, são ótimos avós. Em relação à paternidade, não. É algo bem ilusório na minha vida e na da minha filha.

Mães que Escrevem: O que você acha que falta na sua área hoje? O que poderia mudar?

Ellen: Como tatuadora, sinto que falta valorização do público. As pessoas não valorizam o trabalho do artista, muitas querem reprodução de trabalhos aleatórios, e não algo autoral. Além disso, o ramo da tatuagem é bem limitado a estilos, mas eu percebo que isso está mudando, pois, muitos artistas estão mostrando mais seus trabalhos.

Mães que Escrevem: Você tem outro contato com arte além da tatuagem?

Ellen: Sim, o grafite! Ele foi minha porta de entrada para a arte. Comecei com 11 anos a fazer meus desenhos que tiveram seu destino primeiramente nos muros. Atualmente, eu faço minhas artes mais na pele, mas ainda continuo com o grafite. Também ofereço oficinas para quem quer aprender.

Ajude uma mãe!

Quem quiser ver  conhecer o trabalho da Ellen, basta entrar em contato pelo Instagram ou e-mail: contatotattooleen@gmail.com.


Nota da Editora: O intuito dessa entrevista não é um incentivo à romantização do empreendedorismo materno, mas de compartilhamento vivências.

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