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Desculpe o transtorno, mas precisamos falar do verdadeiro tesão da mulher com mais de 30, mãe, profissional e sempre exausta.

5 minutos. Talvez menos. Quando chegou na sala a mágica já tinha acontecido. Um pequeno prego, boa vontade e maçaneta da entrada finalmente estava presa.

Sentiu vontade de chorar, de abraçar aquele homem tão complacente. Ela não pedira, ele simplesmente havia feito. Até começou a achá-lo bonito. Um tipo rústico, com sotaque do sul do país. Lembrou do marido, há um ano pedia para o marido consertar a “maldita maçaneta”.

E, de repente, aquele estranho tinha sido protagonista do momento mais feliz daquela semana. Finalmente a resolução daquele pequeno tormento diário. Nada mais de chegar esbaforida carregando filhos, compras, tentando conter a guia do cachorro e ter a certeza de que ao puxar a maçaneta e for a, ouviria sua gêmea tilitar no chão da sala.

Sim, aquilo seria felicidade. E como a cabeça vai longe, começou a fantasia com la vie en rose de um marido marceneiro barra faz tudo. E em seu devaneio ele tiraria as cortinas para lavar, depois de seca as colocaria no suporte.

Sorriu feliz com a imagem, ao se dar conta do movimento de boca involuntário ruborizou, mas não pararia por aí, já que estava fantasiando porque ser pudica. Sim, ele desceria o lixo todos os dias autonomamente.

Olhando bem para aquele homem tinha certeza de que ele poderia passar roupa pelo menos uma vez por semana, mesmo com a rotina de trabalho.

E na cama? Ah, na cama o melhor. Ele a deixaria dormir aos domingos até obscenas 8h da manhã. Um desfrute só, pensava consigo. Abanou com a cabeça, engoliu seco constrangida. Agradeceu pela instalação dos armários da cozinha e pelo reparo surpresa na porta da entrada, um gesto espontâneo que provocara um verdadeira revolução no interior dela.

“Cabeça da gente é terra tão louca!” E despediram-se.

 

Autora: Juliana Oliveira

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