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Somos uma geração que foi silenciada quando criança. E somos precedidas de gerações que seguiram caladas igualmente. Quem tentava ser diferente era machucado em sua mais pura essência, por vezes de forma violenta,  de jeito que não tentasse disseminar nenhum tipo de liberdade de… ser.

Somos uma geração de adoecidos, dependentes de medicamentos e terapias para poder nos relacionarmos uns com os outros de forma saudável. Carregamos pesadas correntes de frustração, medos, inseguranças que foram renomeados de superação, força e vitória. Redesenhados sob a capa do romantismo que nos fez sobreviventes.

De nós mesmos, da vida, da criação que recebemos. 

Não questionamos, aceitamos.

Afinal, como questionar a educação que recebemos de nossos próprios pais, avós, se tudo que eles fizeram foi para o nosso bem?

Mesmo que esse bem fosse reproduzir a árvore genealógica abaixo aquilo que eles também aprenderam que era o correto, repetindo o seu próprio silêncio em prol de se manter o controle, os famosos limites.

Isso sim é educação. Aceitável, aplaudido.

Não incomodar. Não atrapalhar. Não fazer barulho. Não ocupar espaços. Não sujar. Não gritar. Não falar. Não chorar. 

Não existir.

Hoje muito se diz que as últimas gerações perderam a mão na educação. Que agora crianças e adolescentes tem voz, questionam, se rebelam, não aceitam violências e silenciamentos. Gritam, esperneiam. Tem a própria opinião, os próprios gostos. Escolhem por si.

Uma afronta!

Não tem limites! Os pais não deram limites!

A mãe, na maioria das vezes, leva a culpa.

Castigo neles, fogueira nelas!

Fechem as portas. Proíbam a circulação, ditem regras segregantes. Tirem seus direitos, criem jaulas e campos de concentração para que eles possam conviver apenas entre si, evitando assim que se infiltrem na sociedade a dentro.

Se impondo, se mostrando, rindo de quem somos, questionando nossas leis, lutando contra nossas misérias.

Nos tirando a autoridade, nos deixando sem controle, nos fazendo enxergar o que somos por dentro, de melhor e pior.

Nos colocando vulneráveis, expostos, fragilizados tanto quanto o fazemos sentir com nosso poder autoritário sobre suas vidas e corpos durante toda uma existência.

Crianças e jovens não são aceitos transitando livremente na sociedade porque escancaram o nosso íntimo, expondo o que somos, o que queríamos ser e não pudemos .

Expondo nossa essência mais pura para nós mesmos e para todos aos redor.

Porque afinal, quem somos nós os adultos de hoje, se não a criança e o adolescente de ontem?

Reflita.

Crianças e adolescentes também são gente e fazem parte da sociedade como qualquer um de nós.

Deixe-os livres!


Autora: Sou Elisa Fleming, tenho 47 anos, sou mãe do Miguel, escritora e estudante de Ciências Humanas. Escrevo desde os 9 anos, mas só agora criei coragem de realizar o sonho de menina de me lançar profissionalmente. Acabei de publicar um livro em uma editora de auto publicação por demanda, veio na necessidade de falar sobre minha experiência e as descobertas com a maternidade real, de uma forma como não é mostrada na sociedade, chama-se “Coisas que Não me Contaram antes de Ser Mãe”. Espero que curtam minha escrita. Insta: @elisaflemingg.

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