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No meu texto sobre o MMS eu deixei bem claro que o maior vilão do preconceito e da ignorância é justamente a falta de informação. Não uma falta de informação qualquer, já que você pode digitar “autismo” no Google e encontrar diversos textos e artigos com palavras rebuscadas, termos difíceis, recheados de jargões médicos que nenhum leigo é obrigado a entender.

O problema é a falta de informação acessível às famílias atípicas, que precisam ser disseminadas em larga escala e de uma forma para todo mundo entender.

Por isso, topei a missão de colunista no MQE para trazer todas as informações que eu puder e a primeira delas é:

Você não tem culpa do seu filho ser autista/deficiente intelectual/hiperativo/etc.

Por mais que possa parecer banal, nas linhas a seguir você vai entender porque essa é a informação mais valiosa que eu posso te passar. Nós já sabemos que culpa é inerente à maternidade. Parece um acessório que vem de fábrica, que a gente não pediu e não tem como devolver. A gente tem que aprender a lidar com isso o tempo todo e, por mais empoderadas que possamos ser, a culpa sempre nos leva a nocaute em um momento ou outro.

Mas você não e culpada. Não foi a vacina que você deu, não foi porque você desmamou o seu filho antes dos dois anos, não foi porque seu filho caiu do balanço, não foi por nada disso. E, mesmo que tenha acontecido algo no parto como falta de oxigênio no cérebro (e por isso hoje seu filho tem alguma deficiência), isso também não foi sua culpa.

Você não tem controle sobre tudo. Não é sua culpa ele ter que tomar remédios tão cedo. Não é sua culpa a falta de inclusão na escola. Não é sua culpa receber um diagnóstico. Nada disso. Eu reforço porque é mais do que importante, é primordial ter isso fixo na sua mente.

As informações que vou trazer aqui podem ser um pouco tristes aos olhos de uns, chocantes aos olhos de outros, temidos aos olhos de outros. E o que mais eu vejo nos grupos de pais é a culpa. São as mães se desdobrando entre terapias, atividades, presença em todas as reuniões de escola, buscas incansáveis de tratamentos alternativos (e aí, dependendo do grau de desespero, é onde entra o MMS colocando vidas em risco), sempre se perguntando onde elas erraram.

E é nesse acolhimento que nós (eu e outros pais) reforçamos que não é um erro seu. Não vou romantizar o autismo ou qualquer deficiência mental. Não vou dizer que “é uma bênção”, “é uma missão para os fortes”, também não vou dizer que é algum tipo de castigo nem nada disso. Um filho atípico é como um filho loiro, um filho ruivo, um filho negro. Eles NASCEM assim e ponto final.

Até agora não se fez um consenso de onde vem o autismo, o que é o autismo, se há chance de cura real ou não. Essas discussões existem há décadas e está se intensificando à medida que a grande massa está falando sobre. Se os médicos que estudam para isso não sabem o que é, de onde vem, então você não tem necessidade alguma de se martirizar achando que foi uma falha sua.

Você não tem controle sobre isso, até porque se tivesse eu garanto que seria diferente. Sei que este parece um texto sentimental ao estilo coach Ashley O, mas não é. A partir do momento que você não foca na culpa, não foca no problema, você consegue encontrar a solução.

Uma solução saudável que não coloque seu filho em risco nem o submeta a mais sofrimento do que eles já passam.

Por fim, quero dizer que se você é uma mãe que está aqui buscando informação, você já é a melhor mãe que seu filho pode ter.

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