Coluna – O abandono afetivo na maternidade: a indiferença que fere

An old green armchair sits abandoned against a dark city wall at night in Madrid.

Uma das questões que sempre me incomodou, quando me tornei mãe, foi o abandono — que posso chamar também de rejeição — por parte de “amizades” que acreditei que teriam algum carinho pela minha filha.

Talvez, rejeição seja uma palavra forte demais, mas não encontro outra que defina com maior precisão o que é ver uma criança ser ignorada.

A despedida da barriga aconteceu no hospital. Não recebi visitas, a não ser da família.

Não tive apoio e tampouco condições de realizar o chá de bebê com antecedência. Faltaram amigas, faltou consideração.

Desconheço a sensação de ver minha filha ser amada por alguém que não seja da família ou de parentes, que já são distantes.

Feliz de quem viveu a maternidade sem passar por esse tipo de solidão.

Quando dizem que o filho é só da mãe, essa frase tem muitas camadas. E, neste contexto, fez muito sentido.

Quando uma mulher se torna mãe, é imprescindível uma rede de apoio que não se limite à família.

É comum as amizades se dissiparem, mas é cruel se ver sozinha vivendo uma experiência tão incrível e, simultaneamente, tão desafiadora.

No meu caso, sem mãe, sem amigas.

Até rolaram alguns vínculos forçados, ausentes na maior parte do tempo.

Minha filha completou 4 anos e, adivinha? A pessoa não se fez presente.

Para quem ainda não é mãe e está lendo esse texto — que mais representa um breve desabafo —, não se desfaça de um vínculo tão bonito. Não dispense o amor de uma criança.

Acolha a mãe e honre a oportunidade de participar da vida do filho dela. É o momento mais importante da vida dessa mãe.

E, se você é mãe e passa por isso, acredite: não é a única.

Esta é a minha manifestação. E quantas mães mais não devem passar por isso e decidiram seguir em silêncio?

Essas mães se conformaram, decidiram seguir apesar da dor, da falta. O que fazer com essa falta de consideração?

É lamentável e doloroso ver um filho ser ignorado, tratado com indiferença.

A criança não vai ter conhecimento disso. Mas a mãe sabe, sente.

Eu não vou fazer questão de contar sobre essas pessoas para a minha filha. Mas eu, infelizmente, não vou esquecer quem foram.

Se vocês, mães que passaram por isso, já se perguntaram algumas vezes o porquê… Quer saber? O nosso amor, enquanto mãe e família, basta.

Quem perde é quem não quis ser presente. Quem não abraçou a oportunidade de sentir um amor puro e genuíno.

Vamos desfocar da existência da indiferença e da falta de humanidade.

Amor não vai faltar.

Autor

  • Daisy Scartezini

    Sou Daisy Scartezini, iniciei minha carreira na escrita como redatora de projetos de inovação na Fermento Inovação, mãe da Zayla Eva, de 2 anos e 10 meses, esposa e agora voluntária da Revista Mães que Escrevem. Meu amor pela escrita surgiu logo após a alfabetização. Costumo dizer que amo desenhar as palavras, elas transcrevem o meu ser.

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