Coluna – Hoje eu vou romantizar a maternidade 

Minha melhor amiga me liga toda semana para falar sobre maternidade. Eu sou mãe, mas ela (ainda) não é. Ela pensa muito no assunto, gosta de falar sobre e faz muitas observações.

Em todos os nossos telefonemas, ela menciona o quão difícil acha a maternidade, mesmo estando apenas assistindo de fora. Ela sabe de tudo que vai ter que abrir mão, se acha despreparada, não sabe se vai dar conta e por aí vai. E me chama de louca, diz que eu deveria reclamar mais. 

Reclamar. Eu reclamo às vezes. Acho que já reclamei muito. Mas quando eu olho minhas duas meninas sentadas no chão, brincando juntas, é como se eu sentisse meu coração crescer dentro de mim, igual aqueles desenhos do Tom e Jerry. 

A maternidade é mais valiosa do que ganhar na loteria. Comparação boba, já que a maternidade gasta muito mais do que eu poderia ganhar na loteria. Mas essa contradição é o que mostra o quão valioso é ser mãe. É ter um, dois, três corações batendo dentro do peito. 

Todos os dias eu olho para as duas e digo o quanto elas são lindas. Nas minhas orações, agradeço a saúde delas e por serem tão perfeitas. Como é bom ser mãe, como é lindo vê-las crescerem. 

Minha mais nova vai fazer um ano em alguns meses e meu coração dói, porque logo, logo já não terei mais um bebê. Eu adoro assistir à personalidade dela se formando. Ver que ela já sabe o próprio nome, que aprendeu a bater palmas e como ela sabe se expressar com o olhar. 

As crianças crescem tão rápido que, em um piscar de olhos, já vão ser adolescentes — e eu ainda não estou contando os dias para isso. Eu adoro odiar ter os brinquedos espalhados pela casa. Detesto ter que acordar de madrugada, mas amo a necessidade que elas têm de dormir com o meu cheiro, porque eu também amo os cheirinhos delas.  

As dificuldades são fases que passam rápido demais, e às vezes somos nós querendo que tudo passe logo, sem notar que o ideal seria congelar esse tempo, vivê-lo intensamente. 

Todos os dias me pego vendo as fotos no celular. Louise pequenininha, Penny recém-nascida. Elas são os meus maiores orgulhos e eu não quero reclamar delas — elas não têm culpa de nada, nem a maternidade.

Por isso, hoje eu vou romantizar e dizer que ser mãe é a melhor coisa do mundo e, sem dúvida nenhuma, é a melhor parte de mim. Então eu sempre falo isso para minha amiga.

A maternidade vai ser o trabalho mais difícil que você vai ter na vida, porém a recompensa diária, ela é maior que qualquer salário que mundo pode pagar. 

Créditos da foto: Luz das Sete- Pricila

Autor

  • Ana Paula Maciel Ribeiro

    Ana Paula Maciel Ribeiro é mãe de três, da Louise e de duas estrelinhas, e também uma catarinense que reside na Austrália. Jornalista e desde sempre apaixonada pela escrita, é autora “Do lado de cá do mundo”, blog criado quando se mudou para a Austrália. A Maternidade despertou um amor ainda maior pela leitura e escrita. Depois de duas perdas gestacionais, Ana sente que tem como missão falar sobre essa dor tão solitária, sobre as inseguranças e luto dessas perdas e acalentar mães que, assim como ela, já passaram por esse momento tão difícil. Blog: Do lado de cá do mundo. Instagram: @anaapmaciel @doladodecadomundo

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