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A tal da gravidez não planejada pode até assustar, mas não é problema. Acredito que boa parte das mulheres passam por isso. Mas por algum motivo não compartilham essa parte da história. Talvez por vergonha, por autopunição. A gente é mestre nisso, não é mesmo?

Na minha gravidez planejada dos sonhos, eu estaria esperando um bebê e teria: emprego estável, carteira de carro, um carro, formação em Administração e meio caminho andado na faculdade de Psicologia.

Na gravidez em que me encontro, estou de cinco meses. E tenho: emprego estável, estou me formando em Administração, não cheguei a metade do curso de Psicologia, não tirei carteira de carro, tão pouco tenho o carro – apenas o marido tem carteira e carro por nós (o que já é ótimo!).

Em meio ao turbilhão de sentimentos que vem sobre nós nesse momento, veio até o de irresponsabilidade a mim. Pois é… Me senti mal por ter engravidado assim. Estava tudo errado! Tomei um senhor susto e me culpei por isso.

Até que vi num programa da tevê, o quanto mulheres que não podem engravidar e sofrem tentando pela questão emocional, financeira e desgaste psicológico de não conseguir. Gastam muito dinheiro, acreditam, renovam as forças, tentam, tentam de novo, tentam mais uma vez, tentam só mais uma vez, vai mais e mais dinheiro e nada dedar certo.

E eu, que não podia engravidar, estava numa gravidez não planejada, de um bebê saudável. Sem tratamento algum. Tenho teto, tenho o que comer, tenho emprego, uma mente saudável. Não tinha motivo pra me sentir culpada ou irresponsável.

Descobri que tinha era que ser grata! Não ter vergonha por não ter sido planejada ou me sentir irresponsável. E assim, conversando com umas e outras amigas que são mães, soube que várias gestações não são planejadas mesmo e tudo bem por isso.

O turbilhão de sentimentos a que somos expostas, vem dos hormônios e de muito ninho que deixamos serem criados em nossa cabeça. Sermos gratas nos traz boas energias e nos conforta.

Para mim, foram difíceis as primeiras semanas. Era muita coisa junta para administrar. O susto e as pernas bambas mal me deixavam organizar os pensamentos. Mas assim que a “culpa” da gravidez não planejada deu lugar a gratidão, tudo ficou menos pesado.

Depois de passado esse susto, ficou a certeza de que agora tenho a missão de ser a melhor mãe do mundo. Hoje tenho um serzinho dentro de mim que é um pedacinho de Deus. Tenho alguém que vai precisar de uma mãe melhor amiga pra educar, proteger, consolar, ver seus sorrisos e seus choros e ser pilar em sua vida.

Sou grata! E estou construindo essa mãe pro Vitor, que chegará em janeiro.

E quando me perguntam, respondo “foi escapulido mesmo, eu não podia engravidar!”. Tenho é alegria por ter alguém aqui comigo que será amado e cuidado. O planejamento que agora vai ter é do quarto dele, da maneira que será criado, de tudo que pudermos planejar.

E tudo bem por ser uma gravidez não planejada. Cada novidade é um momento de aprendizado.

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