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Penso que as memórias vividas na diáspora Africana contribuíram para a construção de concepção de lar, família e maternidade das mulheres negras, onde muitas vezes a relação entre mãe e filho é desestruturada devido a caracterização naturalizada do comportamento de mulher negra serviçal, doce ou embrutecida, incondicionalmente fiel a seus afazeres, responsável pela família e sobretudo silenciada.

A naturalização desse comportamento acompanha subjetivamente as mulheres negras desde a escravidão.
Identifico facilmente no comportamento da minha mãe padrões que minha avó produzia e que consequentemente eu reproduzo na maternidade como: Dificuldade em expressar sentimentos, dureza ou falta de posicionamento nas questões disciplinares, subserviência e silenciamento.

Comportamentos que vem acompanhados dos sentimentos de solidão e tristeza pelo retorno a algo que foi perdido.
A maternidade pode ser duplamente cruel para as mães pretas que desde a concepção até a geração de seus filhos, têm seus corpos violados através de políticas públicas que não atendem suas demandas, maior vulnerabilidade social, má qualidade nos atendimentos no sistema de saúde, resultado da falta de capacitação dos profissionais de saúde ás questões de gênero e raça; entre outras opressões.

O Racismo Estrutural e Institucional com o aval do Estado determina como se dá a nossa existência e, segundo levantamento de dados do último Relatório Socieconômico da Mulher pelo Governo Federal, a mulheres negras são as que mais morrem de causas obstétricas (62,8%), enquanto as mulheres brancas (35,6%).

Portanto, além de lidar com as mudanças internas, externas, aspectos conflituosos da maternidade, serem responsabilizadas pela construção da identidade racial das crianças pretas, têm de lidar com o descaso e violência do Estado enquanto se reconstroem como mulher.

Numa sociedade estruturalmente racista, autoafirmar-se, é um exercício diário.

Ainda hoje, por muitas vezes, recaímos nos esteriótipos que nos foram designados desde a colonização. É preciso relembrar que cada célula do nosso corpo carrega a força ancestral no DNA.

Assim como as mães pretas e “escravas insubmissas”: Esperança Garcia, Amancia e tantas outras, resistiram aos maus tratos, desumanização, objetificação, solidão e todas as formas de opressão.

Não nos esqueçamos da nossa capacidade de nos transmutar, pertencer, resistir e retornar ao nosso Sagrado.

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