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Por: Andreia Lima

O cotidiano da mãe negra. Vou começar dizendo que por conta do projeto de embraquecimento da minha família, demorei a me enxergar como negra.

A “índia” sempre foi o que me definiu, a “morena”, a “mulata”, ou seja, qualquer outra definição, menos negra. E com esse histórico de criação e com a voz da minha mãe na cabeça: “não vá escurecer o que levamos anos para clarear”. Isso mesmo, essa sempre foi a fala da minha mãe negra.

Então casei com um homem branco e tive filhos de pele clara, o pedido da minha mãe foi atendido. Depois de mais de 10 anos de relacionamento, passar pela Universidade pública, passar em um concurso público, adoecimento da minha mãe e já com 30 anos na cara questionei tudo que era certo. Me separei e comecei a dizer para os meus filhos: sou negra.

– Vocês são filhos de uma mãe preta.

Minha filha entendeu rápido, meu filho questionou falou sobre tons mais escuros, mais claros, cabelos crespos, cabelos lisos. O discurso da avó paterna que sempre foi racista, com termos, no mínimo, criminosos.

Expliquei sobre minha ascendência e que não posso clarear meu discurso e sim enaltecer minha negritude. Achei que tinha vencido, estava orgulhosa, mudei paradigmas na minha família. Mas, percebi que o discurso de que não sou negra, por conta do meu cabelo, perpassa até o movimento negro.

Então, sou uma mãe em busca da aceitação de ser negra. Se eu ainda tivesse o desejo de ser mãe, seria a mãe de um filho preto. Porém, se relacionar com um homem negro não é estar livre do machismo, principalmente na divisão da “negra sexy” e da negra de casa que assume e entende tudo, mas isso, é outro papo.

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