Eu imaginava que as mães cantarolavam cantigas de ninar apenas para embalar suas crias.
Quando meu filho nasceu, descobri que elas cantam, antes de tudo, para si próprias. Cantar baixinho melodias ancestrais, às vezes com a boca semifechada em um som anasalado, porém constante, ajuda a quebrar o gelo das madrugadas solitárias. A amamentação do dia é cercada de aplausos e, nas semanas iniciais, até de comida e água, pois todos sabem como esses fatores são importantes para uma boa produção de leite. Mas os meses vão passando e vamos ficando apenas nós: a mãe e o bebê, em incontáveis noites, faça frio ou faça calor.
E vamos cantando, tentando convencer o cérebro a ver o lado positivo de todo aquele caos inicial, a despeito do cansaço absurdo imposto pela privação do sono.
A primeira vez que embalei um bebê para fazê-lo dormir, antes mesmo de me tornar mãe, cheguei a prender a respiração ao colocá-lo no berço. Tive a sensação de que o barulho feito ao expirar poderia acordá-lo.
Alguns anos depois, com a chegada de Davi, entendi como o sono é importante para o pleno desenvolvimento das crianças. Para a sanidade da mãe. Para a paz da família.
E segui sussurrando cantigas folclóricas, um passo à frente, um passo atrás…com movimentos suaves e delicados, sentindo dois corações se acelerarem e depois se acalmarem quando UFA! Dormiu!
A música também me ajudou a espantar um pouquinho o medo da matrescência e toda angústia e vulnerabilidade que ela me trouxe. Meu parto como mãe não foi rápido, não foi sem incontáveis ambivalências, que custei a compreender. Foi construído, em um misto de encantamento e absoluta surpresa de “como ninguém havia me dito isso antes”?
Tal qual na gestação, contava meus períodos de superação por trimestre! Ufa, venci os 3 primeiros meses e toda confusão mental que eles me trouxeram. Ufa, venci os 6 meses e a introdução alimentar será importante aliada, pois a amamentação não será mais a única fonte de nutrição. Ufa, venci os 9 meses e retornarei ao trabalho, que tanto amo. Ufa, venci os 12 meses e tenho um bebê saudável e adorável, em pleno desenvolvimento.
Hoje, além de cantar, eu danço. Faço atividades físicas, consigo manter a terapia em dia e, vez ou outra, tenho um bebê que me chama de madrugada para tirá-lo do berço e dormir aninhado em minha cama. Mas agora cantamos juntos…e o canto dele me ajuda a adormecer. Meu coração se aquece, sabendo que estamos em paz.
Por Daniela Almeida Borges – @danielaalmeidaborges
Revisão: Bibbiane Terra





