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A romantização do papel da mulher, de mãe, é muito forte na sociedade, somos descritas como super Mulheres, que supera tudo, que não cansa, que não chora, que sempre perdoa. Tenho quatro filhos, três adultos e uma adolescente, não é fácil criar filhos, educá-los e amar, nossa é uma ciência não exata.

Quando os filhos crescem pensamos o seguinte: agora sim vou descansar, investir em mim, me divertir mais… só que não, isso não acontece exatamente dessa forma. “Filhos crescidos, trabalhados dobrados”, ditadozinho certo.

A preocupação com o namoro, com as drogas, com o estudo, de repente você projeta em seus filho/as seus sonhos. Mas os sonhos são seus e não de seus filhos, é preciso dar espaço para eles escolherem e até para errar, só assim vão aprender, amadurecer e viver suas próprias vidas.

É preciso nessa hora sentar, tomar um café e deixar os filhos escolherem a profissão, orientar quando necessário, mas ele/a só vai ser médico ou advogado, se ele quiser e não para realizar nossos sonhos.

Quando é menina, nossa tenho três meninas, aí o bixo pega. Você se cobrar mais, a sociedade cobra mais e todos os olhares voltadas para as meninas, elas devem ser exemplo de mulheres aos olhos dos outros.

Aí começa o tal do exemplo: não faz isso, não usa roupa curta, não namore muito ( caso seja solteira), pois você tem que ser exemplo para sua filha, se tem uma gravidez indesejada de sua filha adolescente, pronto você é culpada , não deu exemplo… Enfim ser mãe é difícil, não romantize, não se cobre e não se preocupem em ser perfeita, pois você não é e não será.

E, por favor, parem de dar palpite nas crias de suas amigas, da vizinha. Cada família é única, com realidades diferentes, com olhares diferentes, propriedades e sonhos. Ser mãe não é fácil, não tem receita pronta. Quantas vezes eu respiro e conto até dez para não explodir, quantas noites acordo no meio do sono para olhar o quarto da filha, ela não chegou e não avisou, aí que ódio nessas horas.

Enfim, mãe é humana, erra, chora, cansa e às vezes quer alguns dias de descanso, sem filhos, sem responsabilidade, só para viver e sorrir.

 

Autora: Leila Rosa Palheta, 47 anos, ciberativista, feminista negra periférica, secretaria.

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