Algumas coisas são invisíveis para alguns, mas nunca para uma mãe.
Se existe lancheira pronta, material escolar arrumado ainda na noite anterior dentro da mochila, agenda assinada, roupa limpa e criança cheirosa, existe uma mãe que não faz nada.
Onde há uma casa com brinquedos espalhados pela sala, riscos de giz na parede, carrinhos amontoados e sapatinhos enfileirados para fora do armário, existe uma criança feliz. Mas, claro, também existe a mãe que não faz nada.
Se existe roupa lavada, cheirando a amaciante, dobrada dentro do armário, pronta para você pegar e usar, existe uma mãe que não faz nada.
Onde há uma mãe que trabalha como autônoma, com seus próprios pacientes e clientes, que faz seus horários e que não precisa bater o cartão todos os dias, para muitos também existe uma mãe que não faz nada.
Há um lar com cheirinho de carne de panela temperada no ar e o aroma do arroz com alho bem fritinho se espalhando pela casa. Ali também tem uma mãe que não faz nada.
Quando existe uma criança que gosta de comer de tudo um pouco, pode ter certeza de que ali também não houve dedicação nenhuma, só uma mãe que não faz nada.
Quando se ouve uma criança feliz brincando no balanço do parquinho da praça, rindo alto, correndo sem medo, com o vento bagunçando os cabelos e o joelho um pouco sujo de terra, pode saber que existe ali uma mãe que não faz nada.
Quando uma criança aparece com um desenho torto, cheio de cores, orgulhosa das cores que colocou no papel e dos traços abstratos que fez, pode saber que existe uma mãe que não faz nada.
Quando alguém vê uma criança educada dizendo “por favor”, “com licença” e “obrigado”, pode acreditar: existe ali uma mãe que não faz nada.
Quando um pequeno corre para um abraço depois de um dia inteiro fora de casa, brincando na escola com seus amiguinhos, contando histórias na sua língua de bebê, inventando músicas que enrolam a língua, pode ter certeza de que existe uma mãe que não faz nada.
Porque existe uma mãe que acorda todos os dias, antes de todos, pensa no cardápio, organiza horários, limpa lágrimas, acolhe choros, dá abraços, assopra machucados, escuta histórias incompreensíveis na língua de bebenhês, e ainda encontra tempo para trabalhar, cuidar da casa e tentar cuidar um pouco de si mesma para não se perder por completo.
Mas, curiosamente, tudo isso continua sendo chamado de “não fazer nada”.
Então um viva, um feliz Dia da Mulher para essas benditas mães que nada fazem.
Que nada fazem, mas sustentam o mundo com mãos e costas cansadas, muitas vezes, com dores crônicas, mas com o colo quente e um amor que trabalha todos os dias, mesmo quando ninguém vê, sem feriado, sem recesso e sem adicional noturno.
Por Maria Germana Gomes de Oliveira Baldin – @mariagermananutri
Revisão: Angélica Filha





