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Há um sentimento que tem me acompanhado desde que o Logan saiu de dentro de mim. Mas que só consegui nomeá-lo há poucos dias. Lembro de olhar para o Logan em meus braços, ainda recém nascido, e em seus olhos eu percebia como se ele estivesse perdido nesse mundo, com tantas vozes, luzes e aromas. E de alguma forma eu me identificava. 

Eu estava despedaçada, frágil, exausta e perdida. Sabia que a minha vida não seria mais a mesma de antes, apesar de não saber o que seria da minha vida a partir daquele momento. O Logan sequer imaginava as inúmeras descobertas que o mundo lhe reservara. Mas, ainda no hospital, os olhares eram voltados totalmente para o meu filho.Todos queriam ver como era aquele neném tão esperado pela família. Mas ninguém via a mãe recém-parida. 

O Logan foi crescendo, aprendendo a engatinhar, balbuciar, andar e falar. Por trás do seu desenvolvimento, uma mãe exausta e cansada, com várias noites mal dormidas, o peito machucado, sem motivação para arrumar o cabelo ou fazer as unhas, porque no pouco tempo livre que me restava, eu queria só dormir. E mais uma vez os olhares se voltavam para o meu filho: “olha ele andando”, “olha que neném lindo”. E eu, invisível. Afinal, o amor torna tudo mais leve, é o que dizem. E como o amor materno é o maior sentimento que pode existir, as dores de ser mãe não são vistas. 

E quando nós, mulheres-mães, somos lembradas, em sua maioria, é sob um olhar acusatório e de julgamento: “Sua mãe não te deu educação?”, “Cadê a mãe dessa criança?” E aí de uma mulher que ousar denunciar os desafios da maternidade! “Você não ama o seu filho?” É o que escutamos. 

Assim, seguimos invisíveis, como coadjuvantes da vida de nossos filhos, com nossas dores e desejos silenciados. Ficamos sobrecarregadas por acúmulo de tantas funções e exaustas por cobranças de sermos as melhores mães, esposas e profissionais. E na real, a gente não dá conta de tudo, afinal, somos seres humanos. 

Quem está disposto a escutar as angústias que uma mãe carrega? Quem saberá acolher as suas dores? Quem cuida de quem cuida? Ser mãe tem me revelado também essa difícil faceta do exercício da maternidade em sociedade patriarcal: a invisibilidade que há em ser mãe. 


Autora: Amanda Jonas Nascimento – Psicóloga (CRP 04/59764) e mãe do Logan. Uma mulher que tem se reinventado na experiência da maternidade, na medida que auxilia outras mulheres nessa jornada. Instagram: @amandajonas.psc

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