“A educação é a oportunidade da tentativa…” – Pitel

Eu queria tanto que aqueles que se colocam frente a mim na posição de algozes tivessem essa virada de chave intelectual, porque a ascensão educacional que tanto me refiro e defendo, para nós que viemos de uma realidade de subserviência, muito dificilmente nos enriquecerá o bolso, mas, intelectualmente, é uma abertura de portas tremenda. A gente precisa transcender o que é mais forte que nós, que é a miséria social. Transcender a posição na qual nos colocaram, entender que estamos à margem, mas não devemos permanecer nela.

Melhorar R$500 nos nossos salários é ser estratégica, sim. As redes são uma vitrine de 1% da parte menos desafiadora do “só quem passa é que sabe”. Eu mesma sempre digo pra quem me conhece, que a minha vida é, sim, um livro aberto, mas, de uns tempos pra cá, eu fiz uma autoanálise e pude perceber que não. Boa parte do que eu passo não está estampado por aqui, porque são dolorosas demais certas coisas. Porém, como toda boa cronista, a história tem enredo… uma hora vocês vão poder saborear um livro meu.

Sara Zara usou uma frase essa semana que diz assim: ” – Mulheres pretas que são mães solo, respeitem o limite de vocês, que façam escolhas que competem somente a sua realidade, não fiquem levando contexto externo como posição de verdade pra sua vida, porque, na hora que o calo aperta, só nós sabemos qual o sapato teremos que tirar…”

Deixo essa mensagem como carta aberta. A única coisa que eu almejo com toda a minha movimentação é a mesa farta pra mim e para os meus pares. A saúde ou pelo menos ter a reserva que vá bancar as emergências. Ter cama pra dormir, uma casa segura, ver meus filhos felizes e realizando os seus sonhos e que estes sejam conquistados por mérito próprio, com muita sabedoria e dedicação. Que nós possamos usufruir de tudo que existe de bom na vida com plenitude, sem precisar regrar tanto, sem precisar medir o angu com o fubá, sem precisar ver se esse mês vai ter carne ou só ovo.

Eu desejo de coração àqueles que se colocam como algozes diante de mim que leiam mais textos e que possam escrever sobre as tuas dores, e que melhorem.

Pitel (ex-BBB24), há um tempo atrás, publicou um vídeo que dizia: “A educação não mudou a minha vida”. Na verdade, esse vídeo conta sobre um questionamento de seu sobrinho, quando ele foi cobrado por Pitel por melhores resultados na escola. Ele indaga: “Oxi, mas não foi a escola que mudou a sua vida?” Pitel relata que ficou sem resposta na hora, mas refletiu sobre como a sua transformação financeira e pessoal veio através do Big Brother Brasil, e não apenas da instrução escolar formal tradicional. Aproveito esse trecho para contribuir com o ponto de vista da interseccionalidade, porque, quando eu falo da minha vivência, não consigo falar só de educação ou só de dinheiro. Estou falando de como ser mulher, preta, periférica e mãe solo atravessou, e ainda atravessa, cada degrau que eu tento subir.

Texto de: Deborah Fideles – @_alindeb

Revisão: Angélica Filha

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