Diário (nada) glamuroso de uma mãe de dois

Segunda-feira, 6:30 da manhã. Pela primeira vez, em um bom tempo, eu acordei e levantei antes do meu filho mais novo. Mas não muito antes. Bastou eu entrar no banheiro pra ouvir passinhos pesados adentrando o quarto. “Bom dia, mamãe! Quero fazer xixi!”

Faz o xixi, descemos pra tomar café da manhã, faço o café de todo mundo, faço o lanche do mais velho, coloco tudo na mochila. “Pessoal, vocês ainda não terminaram o café? Vocês vão chegar atrasados, hein? Ainda precisam se trocar, escovar os dentes…”, organizo a cozinha, limpo tudo, ajudo a vestir os dois e mando pra escola. “Ufa! Hora de comer! Mas hoje tem que ser rápido porque preciso começar a trabalhar cedo”.

Ligo o computador. Uma reunião, duas, termino um documento que precisava entregar hoje, pausa pro almoço, começo outro projeto, ligações, e-mails… “16:18, caceta! Preciso ir!”

Pego o uniforme de jiu-jitsu de um, lanchinhos para os dois, e saio, esbaforida, como sempre. Pra ajudar, chuva. Pego o mais novo na creche. Pego o mais velho na escola. Começo o turno da noite.

Tento assistir ao treino do mais velho enquanto fico de olho no mais novo. “Mamãe, quero fazer xixi!” Lá vamos nós. Duas vezes.

O treino termina. Encontro os vizinhos na saída. “Ana, tá tudo bem? Você tá com uma cara de cansada.” Se fosse só a cara… “É recorrente, né gente? Beijo, tenho que ir. Meninos, voltem aqui! Cadê vocês?”

Pego todo mundo, pego tudo, coloco no carro e bora pra casa. Acabou? Que nada! “Lucca, lição! Leo, hoje não é dia de ver TV. Brinca na sala enquanto a mamãe faz a janta”.

Comida pronta, lição quase pronta – “Esqueci o caderno de matemática na escola” -, hora da janta. Arrumo a cozinha enquanto o mais novo bagunça a sala. “Leozinho, você tá de brincadeira, não é possível!”

Um tempo depois, tudo no lugar. Banho, confusão, enrolação. “Leo, põe o tampão no ouvido”. “Lucca, filho, precisa lavar o resto do corpo, não só a barriga”. “Venham se secar”.

Dentes escovados, os dois na cama, historinha. Eu deito no chão do quarto do mais novo até ele dormir. Me escondo embaixo de um cobertor, pago o serviço de guarda da escola do mais velho. O mais novo dormiu.

Hora de dormir? Não. “Faz tempo que eu não posto, preciso bolar alguma coisa. Ah! Vou escrever sobre o dia de hoje!” E esta era eu, ontem à noite, antes de resolver jogar o post pro alto e decidir dormir, pra ser acordada hoje antes das seis da manhã pelo dono dos passinhos pesados. Bom dia!

Por Ana Fachini – @anafachini.escritora

Revisão: Angélica Filha

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