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Confesso que quando o governo de São Paulo anunciou a reabertura gradativa de comércios, não gostei! Estamos num momento crítico e muito delicado, temos mais de 1 milhão de casos confirmados e mais de 50 mil mortes, que país em sã consciência, vivendo esses números, tomaria uma atitude tão irresponsável? (sic).

Ao mesmo tempo, pensei nas famílias que estão paradas e necessitam de renda para sobreviver. Cresceu o número de grupos no Facebook com pedidos de ajuda e a maioria desses pedidos vindo de mães, mulheres que estão sem o mínimo dentro de casa.

Outro dado assustador é que segundo a pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnadc), 7 milhões de mulheres tiveram de deixar seu trabalho por não terem com quem deixar seus filhos.

Depois, li a seguinte notícia “escolas do estado de São Paulo devem voltar a funcionar no dia 8 de setembro” e me deparei com a seguinte questão: devo ou não deixar meu filho voltar para a escola?

Diante de todos esses dados e observando a realidade de muitas mulheres, realmente fica muito difícil decidir o que fazer, ao mesmo tempo que temos mães que precisam trabalhar, também teremos crianças e profissionais da educação expostos ao vírus.

Por mais que eles digam que haverá um controle de higienização, sabemos que com os pequenos não funciona assim. Criança pega coisa do chão para comer, eles trocam chupetas entre si, eles engatinham, eles vão ao banheiro e nem sempre lavam as mãos e com a máscara não seria diferente.

Criança não gosta de usar máscara e compartilhar elas com os amigos é uma possibilidade que não deve ser descartada. “olha, como fica sua máscara em mim”, eu já surto só de imaginar essa situação que com certeza vai acontecer.

E não tem só a escola, mas o caminho para chegar até lá! Profissionais terão de sair de suas casas, se expor e aos nossos filhos também, a recomendação da OMS não é a toa. O vírus se espalha também pelo ar e permanece no chão, ou seja, do caminho de volta pra casa, nossos pequenos podem levar o vírus e os profissionais também. Fora as vans escolares transportando mais de 10 crianças, coletivos, metrô lotados, não era para evitar aglomerações?

Eu entendo a necessidade de voltarmos ao trabalho, à nossa “vida normal”, mas eu também cobro o Estado que deveria dar condições para que a gente fique em casa. Liberaram o auxílio emergencial, mas tem mães que ainda estão em “análise”, outras não foram aprovadas por conta de renda de 2018, como se isso refletisse à nossa realidade atual.

É uma decisão delicada e muito difícil. Reconheço minha vantagem em ter o pai do meu filho fazendo sua obrigação e reversarmos durante a pandemia, mas e quem não tem ninguém? E quem precisa trabalhar, estudar? E quem precisa por comida dentro de casa? A linha é tênue demais!

O Estado faz isso, nos coloca em situações onde não temos saída e mascara sua negligência com as mulheres. “Decidam aí”, é basicamente isso que fazem quando decidem reabrir comércios e escolas e escapam de fininho enquanto sacrificamos nossa saúde em prol da economia, mas eles mesmos, não fazem nada para minimizar os impactos da pandemia.

Se conselho fosse bom, se vendia, mas me sinto na obrigação de oferecer:

Se você pode, fique em casa e deixe seus filhos também! Quanto menos crianças e adultos expostos tivermos, menores as chances dos números de mortos e casos confirmados aumentarem.

E vamos cobrar, bater na porta dos governantes e exigir direitos que, veja bem… são direitos! Não precisamos passar por isso sozinhas!

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