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Esta semana estava vasculhando meu álbum na nuvem para escolher algumas fotos para decorar nossa casa com bons momentos. Mas aí me surpreendi escolhendo “os melhores momentos” em que todos da foto teriam que estar bem, sorrindo, impecáveis. Bom, isso vale para os adultos da foto porque as crianças, ah, as crianças são maravilhosas, sorrindo ou chorando, a espontaneidade sempre cai bem.

Entre as melhores, encontrei aquela foto em que eu estava descabelada, provavelmente ainda sem escovar os dentes, amamentando as meninas e o Cae quase que esfregando o livro na minha cara para ganhar minha atenção “leia mamãe, leia”. Sorri. Que foto maravilhosa!

Eu não estava no meu melhor ângulo – se é que tenho um, ainda não descobri – mas aquele sim era um daqueles “bons momentos” que garimpava: uma cena para se “emoldurar”. Mas a vida é movimento, rotina e dificilmente nos lembraremos desses momentos que duram segundos. 

Encontrei outra! Eu de boca aberta, provavelmente gritando, “larga o celular do seu pai”. Esse clic foi do Caetano. Na verdade, encontrei muitos desses “melhores momentos” e tenho certeza de que você também deve ter aos montes deles.

Não costumamos parar e ver beleza na casa desorganizada, brinquedos pelo chão, pia cheia de louças para lavar, o varal com a roupa de dois dias atrás, porque sem esse cenário não tem comida quente, criança feliz, cheirosa, limpinha pronta para derrubar o próximo copo de suco e começar tudo de novo.

Encontrei também o dia do passeio no parque, no primeiro museu, no circo, no show horrível da patrulha canina, a brincadeira com tinta que acabava com todos tomando banho de mangueira, do choro da Lis porque a Ivy jogou areia em seu olho. Também tem aquela foto posada, no estúdio com luzes maravilhosas, mas elas só contam parte da história. 

Então, sabe aqueles dias pesados, em que a rotina esgota, falta fôlego para gritar com as crianças e você se olha no espelho, se vê descabelada, entristece e a culpa vem? Vá garimpar na nuvem, revisite seus pequenos momentos, você verá o quanto fez, quantas cenas importantes aconteceram nesses meses e anos. Garanto que se emocionará com seus grandes feitos, esses, de todos os dias. 

Ah, o conselho? Tire fotos, muitas fotos, da pia cheia, do grito, do seu choro, do choro das crianças, tirem foto pela manhã da bagunça gostosa na cama com as crianças. Tire self de cara cansada, peça a(o) parceiro (a) que tire fotos sem que percebas.

E outro conselho: tenha sempre ovos na geladeira.

PS: obrigada marido por ser o guardião dos meus grandes momentos.


Autora: Isabelle Maurutto – Mãe do Caê e das gêmeas Lis e Ivy. Amante da escrita. Psicóloga e Psicanalista em constante movimento. 

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