Atravessamentos de uma maternidade já antes atravessada: da segunda vez é mais fácil se reencontrar
A lucidez de nĂŁo estar perdida na maternidade e me sentir mais presente em mim mesma me tranquiliza…
A lucidez de nĂŁo estar perdida na maternidade e me sentir mais presente em mim mesma me tranquiliza…
Não estava em meus planos ser mãe, embora nunca tenha negado esse desejo dentro de mim. Sempre houve cobranças externas
Depois de viver um dos meus maiores sonhos, o de ser mãe, algo dentro de mim se desfez — e,
Um dia eu acordei e não havia mais sombras.Eram apenas eu e meus meninos.Uma rede me abraçou, me levantou e
O vĂnculo entre mĂŁes e seus bebĂŞs nĂŁo ocorre a partir do seu nascimento, mas muito antes. Desde o planejamento
Depois de um mĂŞs de encontros, recebemos a notĂcia de que eles poderiam ir para casa conosco.
Tudo o que priva uma mĂŁe de estar bem com seus filhos Ă©, no mĂnimo, triste demais.
Um diagnĂłstico mĂ©dico. Intolerâncias mĂşltiplas: ao amor idealizado; Ă famĂlia idealizada; Ă maternidade idealizada.
Desde que ela nasceu, um dos meus trabalhos Ă© nĂŁo odiar meu corpo – este corpo que a produziu, que está neste formato porque a abrigou.
“O trabalho afetivo Ă© o que nos humaniza, costura o tecido social, sustenta a infância, as escolas, as comunidades.
Nossos filhos merecem mães inteiras e a gente só consegue estar inteiramente pra eles quando integra nossa parte mulher, humana e também mãe.
Foi a maternidade que me mostrou, entre alegrias, exaustões e descobertas, que existia em mim uma escritora
Naquele reflexo, eu pari a mim mesma, porque acolhi a minha histĂłria escrita no meu prĂłprio corpo.
As melhores e as piores coisas da vida vocĂŞ vai experimentar longe de mim, porque Ă© a sua vez.
“Você era, sim, uma menina e também uma mulher inteira. E duas e três.
Durante a gravidez e o puerpério, a mulher deixa de ser dona de seu corpo e de suas decisões, enquanto o homem segue livre para escolher o próprio caminho.
A maternidade Ă© isso, tudo ou nada: ou vocĂŞ está no cĂ©u, ou está no inferno. Um delĂrio.
Você não nasceu mãe. Está se tornando. E essa é uma revolução que ninguém vê, mas que move o mundo
Ser mĂŁe Ă© uma das experiĂŞncias mais desafiadoras e transformadoras que existe.
Filho querido, essa Ă© a histĂłria de sua vida. Uma histĂłria de descobertas, de conexĂŁo, de dor, mas sobretudo, de muito amor. VocĂŞ foi um bebĂŞ que a partir da descoberta da sua existĂŞncia, foi muito querido e amado.
Vendo a infância de meus filhos, observei através deles como é a criação divina, como é o pensamento inocente, o vislumbre através de um olhar que vê algo extraordinário pela primeira vez.
Na noite anterior ao apavorante ultrassom morfológico, fui a um show de tributo à Nina Simone. Sempre que escuto suas músicas sou atravessada por uma infinidade de sentimentos, como se ouvisse um rádio cuja frequência traz diversas oscilações. Ambi. Valentes.
Você chegou em uma manhã fria. Um sol de inverno se anunciava no céu, mas pouco esquentava os corpos que andavam lá fora, recebendo o vento cortante e frio.
Acordei perto do meio-dia. Sensação de inchaço no corpo, sinal da menstruação que deve se achegar nos próximos dias, afinal,
Talvez o especial de Ser MĂŁe esteja justamente no desafio de saber-se com falhas e, ainda assim, seguir tentando.
Durante a gravidez, parece que o corpo da mulher passa a ser visto como um bem coletivo. De repente, todos
Este relato é uma escrevivência, no sentido proposto por Conceição Evaristo (2019): uma escrita que emerge da carne, da memória e das dores que marcam a existência da mulher negra.
E, por trás da imagem doce e maternal que projetavam sobre mim, havia uma mulher cansada, perdida, triste, que encarava seu reflexo no espelho todas as manhãs e não se reconhecia.
Eu Primeiro: Quando as palavras me conduzem, Mariana Ferreira – @mariana.literal “Eu primeiro”: quando escrever Ă© sobreviver Essa semana, li