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Decidi escrever sobre esse assunto porque tenho uma pessoa próxima a mim que acabou de descobrir a tão sonhada e esperada gravidez!

Sim, como eu já passei por esse momento sei que a ansiedade naquela casa está a mil. Sei que as emoções estão à flor da pele e a cabeça só pensa: “Como será meu bebê?”, “Preciso arrumar o quartinho, comprar as coisas”, “Vem logo filho!”

Os parentes todos ansiosos, “cuidando” super bem da grávida e desejando que o tempo passe para que o bebê venha a esse mundo. 

Mas mãe de primeira viagem não sabe que o buraco é mais embaixo! Sim, eu costumo ser um pouco fria quando falo sobre maternidade! Porque não consigo romantizá-la como a sociedade quer. 

Mãe começa a ver que ser mãe não é fácil, desde os enjoos que começam antes mesmo de ela saber que está grávida. Vômitos. Cólicas. Não dormir direito porque em tal posição é desconfortável! E quando a barriga tá enorme então? Aí que seu corpo já começa a te mostrar que quando o bebe nascer, as noites bem dormidas acabam de vez por um tempo. 

Mas meu motivo principal foi vir falar sobre a tal da rede de apoio!

Quando tive filho há dois anos, resolvi que sozinha seria uma baita rede de apoio, desde quando eu soubesse da gravidez de tal pessoa próxima, até o dia em que ela tivesse com o bebê no colo, com sono, querendo dormir ao menos meia horinha… ou simplesmente tomar um banho sem se preocupar em ter que sair correndo caso o bebê chorasse.

Eu decidi ser uma mãe diferente de muitas que infelizmente ainda existem por aí, nessa sociedade machista onde muitas mulheres e mães acabam tendo atitudes machistas também, como quando uma mãe cheia de olheiras reclama que está com sono e ao invés de ser compreendida e ter a mão estendida, é simplesmente julgada com um: 

– Não quis ter filho? Agora aguenta! 

– Tá achando que ser mãe é fácil? 

– Depois você descansa. Quando o bebê dormir. 

Mas todos esquecem que depois que o bebê dorme, tem mil e uma coisas e você tem que decidir entre dormir ou não.

Foi exatamente por ter ouvido muitas dessas frases! Por ter gritado várias vezes que estava cansada, que precisava de ajuda em relação a minha casa, que precisava de um tempo só para cuidar de mim mesma, que queria sair com meu marido como um casal … e ninguém me ouviu!

Ninguém fazia questão de ouvir o grito desesperado de uma mãe que só queria voltar a ser mulher! Porque todos esquecem que por trás de uma mãe existe uma mulher que foi se esquecendo para se doar por inteiro aquele serzinho tão inocente. 

E então, me tornei uma mãe real! Uma mãe que não romantiza! Uma mãe que não tem medo de falar que ama a cria mas detesta essa maternidade, onde a mãe é tão cobrada, mas dificilmente ou nunca ajudada.

Me tornei a mãe que eu sempre quis ter por perto e não tive, a que acolhe outras mães, não só durante o puerpério mas depois também, aquela que antes de se preocupar em ajudar com o bebê, se preocupa primeiro em ajudar o psicológico daquela mãe que é tão bem cuidada durante a gravidez, e tão esquecida depois que o bebê nasce!


Autora: Roberta Gabriel.


Este texto foi revisado por Viviane Moreira.

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