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Uma das poucas orientações claras e inequívocas a respeito da maternidade é que não se deve esperar que os filhos atendam às expectativas das mães. Na verdade, o ideal é que as mães sequer criem expectativas a respeito dos filhos, para que o atendimento às mesmas não acabe sendo cobrado em algum momento.

No meio de tantas opiniões contraditórias a respeito da maternidade, a quase unanimidade a esse respeito sempre me pareceu um porto seguro. Algo que eu tinha certeza de estar agindo da melhor forma. Sendo assim, nunca esperei que minha filha realizasse meus sonhos. Ela não precisava gostar da mesma atividade física que eu, nem ter um desempenho acadêmico impecável, muito menos se destacar em nenhuma área. Bastava ela existir, exatamente do jeito dela, para ter o meu amor infinito.

Além disso, o outro único assunto em que consegui encontrar quase unanimidade a respeito da maternidade, é que a mãe deve estimular a autoestima dos filhos. Então sempre aplaudi, elogiei, motivei e encorajei minha filha a alcançar seus objetivos. Minhas frases usuais são do tipo “Vai, filha, você consegue!” ou “vamos, filha, nós conseguimos!”. Seguindo a mesma linha de pensamento, costumo dizer que somos uma família de mulheres fortes, que somos capazes de tudo o que quisermos.

Ocorre que o limite entre o incentivo e a expectativa é muito tênue. É difícil enxergar em que ponto o estímulo deixa de ser recebido como um encorajamento e passa a ser uma pressão exercida sobre a criança. Afinal, em algumas situações ela não vai conseguir alcançar seus objetivos, vai ter dificuldades. Ninguém é capaz de tudo o que quiser. Apesar da importância de valorizar as conquistas dos filhos, é necessário também deixar espaço para acolher seus fracassos.

Concluo então que a maternidade é um tema tão complexo, que as únicas quase unanimidades que encontrei sobre o assunto podem ser conflitantes. Ser mãe não é tarefa fácil. Por força do hábito, quase digo que é só para os fortes, mais uma vez excluindo a possibilidade de demonstração de fragilidade. Maternar é uma eterna busca pelo equilíbrio, inclusive o equilíbrio entre o incentivo para a construção da autoestima do filho e a necessidade de não criar expectativas a respeito disso.

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Marcia do Valle
É mãe, carioca e engenheira. Começou a escrever para tentar harmonizar o que sentia com o mundo que a cercava. A partir daí, nunca mais parou, publicando o seu primeiro livro em 2005, o romance 180 Graus (Editora Marco Zero). Em fevereiro de 2020, foi lançado pela Editora Adelante seu segundo livro, uma antologia de textos sobre amor, saudade, e outros sentimentos que transbordam de suas palavras: Onde guardo as bobagens que eu contava só para você?. Após escrever em blogs e diversas páginas da internet, atualmente divulga os seus textos no instagram @marciadovalleescritora.

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