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O papel da mulher e da mãe é de extrema importância, e isso ficou evidente em meio à essa crise sanitária mundial que atravessamos.

Qual é esse lugar?
É em todo o lugar.

Na linha de frente, desprotegida.
Em casa, invisível.
Trabalhando no comércio, desvalorizada.
Garantindo as aulas online, sobrecarregada.
Desempregada, esquecida.

As mulheres são as que mais estão sofrendo nessa pandemia.
As mulheres e crianças.

Fisicamente. Financeiramente. Emocionalmente. Mentalmente.

Em casa, estão sobrecarregadas. Ou sendo agredidas, quando não são assassinadas.
No emprego, são exploradas.
E para os governos, são invisíveis.

As mulheres estão sem aldeias. Muitas, sem esperanças.
Escutam das pessoas, que têm o privilégio de estar em casa, que está difícil ficar com os filhos, quando muitas de nós vivíamos assim muito antes da pandemia.

Abre tudo. Fecham escolas.
As escolas são as primeiras a fechar e as últimas a abrir.

A mãe dá “um jeito”: creche clandestina.
A mãe dá um jeito: pede demissão.
A mãe dá um jeito: surta.
A mãe dá um jeito: aguenta. Suporta.
Dupla, tripla jornada.

Enquanto garantimos a manutenção da vida e a renovação das capacidades de trabalho, a vida segue. A balada lota. A academia bomba.
Fecham os parques e as escolas.
A mãe dá um jeito.

Se é preciso uma aldeia para criar uma criança, é preciso uma aldeia para olhar a mãe.
Somos a engrenagem desse mundo. Do nosso ventre, nasce a vida.
Das nossas mãos, saem os frutos.

Enquanto o mundo não dá ouvidos ou voz para as mulheres, nós vamos movendo as coisas ao nosso redor. Sobrecarregadas.
Construindo e reconstruindo possibilidades.

Enquanto as políticas públicas não priorizarem mulheres e crianças, o mundo estará falhando!
Porque mulheres movem o mundo e crianças movem o futuro.

Já pensou se as mães resolvessem parar?


Autora: Sou Raquel Cesário, mãe de uma menina que gagueja, educadora digital, psicanalista e autora do primeiro livro infantil brasileiro sobre gagueira. Instagram: @raquel_cesarioo.


Este texto foi revisado por Luiza Gandini.

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