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Da editora.

É, sou mãe. Mas antes de tudo, sou mulher. Parece meio repetitivo essa falação toda sobre excluírem mães, mas enquanto isso estiver acontecendo, textos como este serão escritos. É tanta coisa para falar, me parece óbvio demais ter de falar sobre um assunto que nem deveria ser pauta dentro do movimento feminista, mas cada dia mais, vemos que é totalmente necessário. Vou contar um segredo pra você e espero que espalhe aos quatro ventos: ESTÃO EXCLUINDO MÃES. 

Vejo direto posts no Facebook sobre empoderamento feminino, mulheres buscando sua “liberdade”, “autonomia”, “empoderamento”, mas a maioria delas esquecem, ou fingem não ver que estão deixando de lado uma pequena parte de mulheres que também têm os mesmos direitos de estarem nessa pauta, as mães. 

Pessoal acha que falar sobre maternidade é falar apenas sobre o tipo de desenho que a cria vê, ou a marca de pomadas para assadura que usam, ou até mesmo qual body vai usar no dia e olha só… o dente do Enzo caiu hoje! Ledo engano. Falar sobre maternidade é pautar Direitos Humanos, Saúde Pública, Políticas Públicas, Educação, poxa, todas as pautas políticas possíveis. Afinal, lutar e tentar melhorar o Estado em que vivemos, não deve vir apenas de mulheres que são mães, mas de toda a sociedade, porém, infelizmente acreditam que “quem pariu mateus que o embale”, e não é assim que funciona.

A romantização da maternidade e maternidade compulsória também são nossas pautas. A maioria de nós não escolheu ser mãe, e ainda sim sofremos essa retaliação de uma sociedade inteira que acredita que somos imaculadas e não podemos mais beber, xingar, fazer sexo e lutar pelos nossos direitos. Porra, é incrível que as pessoas reproduzem discursos machistas assim, e pior, dentro do próprio movimento feminista.

Esses dias vi uma notícia de que um coletivo, Observatório Cajuína, formado por mães e pesquisadoras, teve de escrever uma carta aberta endereçada aos espaços de pesquisa científica, eventos e etc., sobre o quanto a presença delas, mesmo com filhos, é importante. Falando sobre o quanto depois da maternidade, parece, aliás, todas as portas fecham na nossa cara. 

“A comunidade científica vem discutindo temas muito importantes: inclusão, questões de gênero e raça, feminismo. Nós queremos dar a nossa contribuição sobre um aspecto que nos é muito caro: a maternidade – mais especificamente, a participação de mães em congressos e eventos científicos. É difícil explicar, entender e pensar o que mães precisam para serem incluídas em situações como os congressos. E, sendo mães, é difícil termos tempo até de contar para os outros quais são as nossas necessidades, mas precisamos falar!”, lamentam.

Não é apenas no espaço científico que nós não somos sequer lembradas. Entrevistas de emprego são torturas para nós. “Você tem filhos?”; “Com quem vai deixar?”; “Mas não é muito novo?”; “Moram com você?”, essas são algumas pergunta que, pode ter certeza, toda mulher já ouviu, até mesmo quem não é mãe, o que nos leva à conclusão de que essa imposição da maternidade também deve ser pauta para as mulheres que escolheram não ser mães, mas parece que escrever textos sobre o quanto é chato ver pautas das mães, ou que não quer ter filhos porque toma muito tempo, é bem mais importante que unir e tentar juntas construir pautas que beneficiem a todas. Mas não. Isso não é importante. 

Ninguém precisa ler sobre papinha, lugares ideais para levar crianças de 0 a 10 anos, ou ficar vendo vídeo de bebês fofos, as pessoas precisam entender que maternidade é além disso, assim como feminismo é além de ter direito de passar um batom vermelho. Sabe, é político. Nossa vida é política, respiramos política, e segregar mulheres que não fazem parte da sua realidade, não me parece uma boa escolha. 

Lembrando que ela perdeu todos os patrocínios assim que engravidou, mesmo sendo patrocinada pelas empresas que dizem "amar o empoderamento feminino".

Posted by Stephanie Ribeiro on Wednesday, October 2, 2019

Esses dias saiu a notícia de que uma americana, atleta profissional, Allyson Felix, conseguiu, 10 meses após dar à luz, quebrar um novo recorde. Só que tem um porém, após sua marca patrocinadora descobrir que ela estava grávida, quebrou o contrato… é, uma empresa que pregava o empoderamento feminino. Após o nascimento da sua filha, a americana tentou reaver o patrocínio, e pediu que “caso não performasse tão bem como antes”, não fosse punida financeiramente, pedido sem sucesso, após isso, acabou sendo patrocinada por outra empresa. Entendeu a gravidade disso? 

Ela é atleta, mas mesmo estando grávida e sendo mãe, ela poderia ter a mesma competência de sempre com o esporte, tanto que bateu esse recorde no atletismo, o que é maravilhoso porque prova que maternidade não é sinônimo de que a mulher morreu para todos os afazeres do mundo e renasceu para ser um ser que vive apenas para os filhos. Tudo isso precisa mudar, urgente.

E é sobre isso que devemos falar. Sobre machismo. Porque passar por tudo isso, é uma teia enorme em que todos os caminhos chegam a um só. Mas não, as pessoas preferem fazer chacota com crianças, mães, mas não entendem que tudo vai além de chupetas, leite e fraldas. 

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