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Estatística Mundial: 9 de cada 10 mulheres terão, pelo menos, um filho durante sua vida.

Meu nome não é mãe. Mas eu sou mãe, e essa é uma função inegavelmente importante.

O que significa ser mãe? Significa que a minha função social é invisível. Não só invisível, como menosprezada, controlada, solitária. O que acontece dentro da casa, das mentes e do coração das mães não está na capa dos jornais, nas revistas femininas, na palavra dos jornalistas da tv. O que eu e milhões de mães vivemos diariamente não está nos discursos inflamados da maioria das feministas, não está nas rodas de conversa de homens, e muitas vezes nem nas de mulheres. O que eu vivo simplesmente não está.

Mas eu encaro com otimismo o Dia Internacional da Mulher deste ano. Porque eu vi surgir no último ano o “boom” da maternidade. Obviamente esse “boom” sendo impulsionado pelo capital, pelo consumo de produtos para mães e bebês (acessórios, móveis, roupas, artigos de higiene), mas também abriu brecha
para que as mães reais aparecessem. Surgiram termos como “desromantização da maternidade” e “maternidade real”.

Apareceram diversos canais no Youtube tratando do tema com mais ou menos profundidade. Foram criados diversos grupos de discussão no Facebook. Devagar fomos descobrindo
os problemas “invisíveis” pelos quais passam as mães, como a mãe de dois bebês gêmeos, inacreditavelmente idênticos, nos quais ela teve que colocar uma pulseira para saber quem era quem.

No entanto, os bebês arrancaram a pulseira, e esta mulher pedia ajuda em um grupo porque estava há 6 horas em choro convulsivo, se achando a pior mãe do mundo. Ela olhava para os bebês, e desesperada perguntava “Qual dos dois você é?! Qual é o seu nome?!”.

O cansaço emocional das mães tomou forma, tornou-se público na rede social. Dúvidas como “o que eu posso fazer com a minha sogra que coloca minha filha contra mim?”, ou a solidão da mãe que não conta com o apoio de ninguém, nem de seu companheiro para cuidar da casa e das crianças foram compartilhadas com milhares de outras mulheres.

E nessa levada, mães se reconheceram (toda semana recebo mensagens no meu canal no Youtube O Lado V da Maternidade de mulheres que dizem “o que você falou nesse vídeo, é a minha vida. Muito obrigada por isso!”). Milhares de mulheres viram que não estavam sozinhas. Milhares de mulheres se deram apoio virtual. Milhares de mulheres se reconheceram em uma classe: somos todas mães.

A maternidade real virou um ato político em 2018, uma luz no fim do túnel, uma esperança de que nós sejamos vistas, reconhecidas, mas, sobretudo, ajudadas, cuidadas, respeitadas.

Nada mais próprio de mulher do que ser mãe. A absoluta maioria de nós viverá a maternidade.
É por isso que este ano, 2018, é um ano de otimismo e espanto. Porque eu compartilho do espanto destas mulheres em saber que a vida delas é a minha também. O espanto de percebermos que
estamos no limite da nossa capacidade física, mental e psicológica, que estamos fazendo um trabalho (talvez ‘O’ trabalho) que deveria ser feito por uma multidão.

Em 2018 eu vi ser repetida diversas vezes a frase “Para criar uma criança é necessária uma aldeia”. E me deixa feliz que a ideia da rede de apoio se torne presente. Ao mesmo tempo, me deixa triste que ainda seja somente uma ideia, bem distante da realidade da maiora das mães.

A maternidade perdeu a cor rosada e tornou-se assunto rico, doído, assunto que dá tristeza e raiva. Mas também tornou-se o motor para discussões como a necessidade (claramente óbvia) do aumento da licença maternidade e paternidade, da necessidade de que hajam creches públicas e de qualidade para todas as mães que necessitam, de que haja respeito no momento de uma mulher parir e de um bebê nascer. Essas são algumas das pautas que lentamente vão sendo vistas e incluídas dentro das reivindicações feministas.

O mundo vai mudar depois dessa. A mudança não pode – e não vai – acontecer sem as mães. Nós não nos chamamos mães. Somos muito mais do que isso. Mas somos mães. E na revolução que se avizinha, nosso lugar é lá na frente.

 

 

Autora:

Vívian Andrade, mulher, feminista e mãe. Youtuber do canal O Lado V da Maternidade, e
administradora da página do Facebook com o mesmo nome.

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