Mulheres-mães protagonistas da própria história

Maternar é solitário

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Eu já tinha ouvido. Já tinha visto. Já tinha lido outras mães falando disso na Internet. Mas a Internet traz essa falsa sensação de que estamos juntas e que, se assim estamos, não estamos tão sós. Mas estamos. Ouvir, ver, ler, nada disso carrega o peso que é viver: sentir é diferente. 

Não posso reclamar muito. Reconheço meus privilégios e tenho uma boa rede de apoio. Pequena, mas firme. Acontece que o que ninguém vê é que a maior parte do tempo é assim: eu e ela. E só. 

É gostoso observar ela descobrindo e experimentando o mundo. É uma delícia olhar nos seus olhos e trocar sorrisos num ciclo perfeito: eu sorrio, ela sorri, o que me faz sorrir, e então ela sorri de novo. Só que quase todo mundo acha que esse é o retrato da maternidade. E não é.

Aliás, pode até ser. Mas se a gente vai nessa metáfora, esse é um retrato de um filme que é muito maior, mais denso e cansativo. 

E, do filme, todo mundo só quer saber de uma coisa: da bebê.

(E, por favor, exclua as dificuldades! Ninguém precisa disso. Querem saber da coisinha lindinha que é a pequena.). A mãe que continue lá, sozinha.Nos bastidores da vida. 

Maternar é solitário. E, desde que me tornei mãe, foram poucas as pessoas que quiseram saber como eu estou. Como tem sido. Se preciso de algo. Inclusive, esse acolhimento veio mais de lugares de onde eu não esperava. Principalmente de outras recém-mães, que sabem, ainda com a memória muito viva, como é esse peso da solidão materna. 

Não é à toa que se diz que é preciso uma aldeia para criar uma criança. (Mas é pra criar, assistir pela Internet não conta!). Quando você tiver uma amiga, uma familiar, que se tornou mãe, esteja lá. Seja a aldeia. Pergunte como ela está, se quer dar um passeio. Escute e acolha os sentimentos dela. Ofereça pra levar um bolo, lavar uma louça, olhar o bebê enquanto ela toma banho. Verifique se pode ajudar com algo prático que ela precisa resolver no dia a dia (comprar frutas, passar na farmácia, pesquisar um eletricista, agendar uma consulta). Partilhe com ela sobre sua vida – é bom conversar sobre outras coisas da vida. Veja como ela está em relação ao retorno ao trabalho. Apoie suas decisões. 

Esteja lá.


Texto: Raíra Cavalcanti – Instagram: @rairacavalcanti.

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