O que temos para a contemporaneidade? Ser a “coroa” da casa. Ser mãe! Se disser que não cansamos, seremos hipócritas. Mas, em tempo, é possível afirmar que nos sentimos orgulhosas. E de onde vem tanto orgulho?
Vem do prestígio de carregar uma vida, por meses, em nosso ventre, lugar onde cresce, casa que abriga um ser ou mais de um…
E quando chega o momento do parto, apesar da dor, sorrimos ao ouvir o choro do nosso bebê. Afagamos e acomodamos para que se adapte ao ambiente externo.
Completamos uma sequência de ações que somente as mulheres sentem. É uma imponência inexplicável!
Chega o instante de amamentar. Quanto privilégio! Somente sendo fêmea para sentir tanta emoção misturada com êxtase!
Mas tudo é muito pouco, diante do verdadeiro papel de ser mãe.
Ser mãe perpassa guardar, resguardar e até mesmo abdicar. Sim… abdicar! Desde o momento da gestação até que a morte os separe! Esse é o verdadeiro sentido dessa frase…
É madrugar, sem resmungar e, se resmungar, está tudo bem…
É aleitar com carinho mesmo quando a sucção traz a dor!
Para além dos benefícios e privilégios, a passagem por abdicação existe. Somos sozinhas mesmo quando estamos acompanhadas. Somos as mesmas que escoltam o crescimento, que ouvem as primeiras palavras, que alfabetizam através da oralidade, que correm para que não caiam ao dar os primeiros passos, mas que mostram aos filhos que, se caírem, podem levantar e está tudo bem…
Somos o verdadeiro ioiô! Vamos e voltamos tão naturalmente, que esse ato nos parece normal: levamos para vacinar, voltamos para casa, cuidamos. Conduzimos para a escola, buscamos para casa, ninamos. É um tal de leva e traz tão frenético que, às vezes, levamos até para o trabalho!
A correria é tão grande que, em alguns momentos, dormimos quando pensamos estar colocando-as para dormir!
Casada, talvez, solteira, às vezes, mãe sempre!
Ser mãe é carregar grandes responsabilidades: participamos das reuniões de “pais”, castigamos para disciplinar, viramos as chatas, mas, ao final de tudo, o orgulho é muito nosso! Simplesmente saem das creches e voam… concluem uma etapa. Tornam-se profissionais e só percebemos a magnitude disso quando entendemos que a nossa tarefa foi cumprida com eficiência. Fácil? Nunca foi, jamais será!
Mas o que é ser mãe quando lembramos que fomos/somos filhas? O que é ser mãe ao relembrarmos o que fizemos nossas mães passarem para nos deixar prontas para o mundo? O que é ser mãe, se fomos treinadas, enquanto filhas, que devíamos cuidar de alguém ou de algo? Aprendemos com os brinquedos que ganhamos, pois muitos deles simulavam o ensinamento para sermos as donas de casa, as mães, aquelas que ficavam em casa, enquanto nossos companheiros saiam para trabalhar e ficávamos cuidando das nossas bonecas!
A maternança está tão entranhada nas fêmeas que, às vezes, elas agem como tal nos relacionamentos e os seus companheiros tornam-se seus filhos.
Assim, ser mãe é ser a fêmea da relação! É também uma escolha. E não é uma das mais fáceis. E é justamente nessa dificuldade que mora a grandeza: na capacidade de transformar cansaço em colo, medo em cuidado e rotina em amor que não se explica. É herdar um legado que vem com a nossa ancestralidade: é o de acolher, educar, proteger e ainda assim encontrar forças para recomeçar todos os dias de maneira resiliente e como símbolo de resistência.
Texto de: Marilha Barreto Caldas – @ilha.caldas / @ilha.escritora.caldas
Revisão: Angélica Filha





