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Um dia pedi para uma pediatra no Instagram para que ela falasse um pouco sobre os bebês de alta demanda (high need), e ela me deu uma resposta que me fez ver a questão por um ângulo para o qual eu ainda não tinha olhado.

Ela disse que a maioria dos bebês chamados de bebês de alta demanda atualmente nada mais são do que filhos de mães abandonadas. Abandonadas pela família, pela sociedade e pelo governo. 

Família onde todos acham o bebê fofinho, mas onde ninguém tem a iniciativa de aliviar uma mãe visivelmente sobrecarregada sem precisar que ela precise chegar ao ponto de ter que pedir ajuda o tempo todo.

Sociedade que romantiza a maternidade e silencia o sofrimento materno, colocando-o como uma coisa anormal da qual não se pode falar para não ser taxada de “mãe ruim que não gosta do filho”. Governo que não dispõe de políticas públicas para dar suporte a uma boa maternidade, exigindo que as mães trabalhem em carga horária que não permite que elas cuidem dos filhos, ou deixando-as desempregadas por serem mães. 

Uma multidão de mulheres abandonadas de diferentes formas, silenciadas, e desesperadas. Eu pedi que ela falasse do meu filho (teoricamente um bebê de alta demanda) e ela acabou falando de mim, uma mãe abandonada.

E acho que ela descreveu, de certa forma, a tal solidão materna. Essa sensação de desamparo invisível e profundo que ninguém percebe, ou que ninguém faz questão de perceber.


Autora: Fernanda Oliveira Santos – @escritorafernandaos. Sou mãe de um menino de 10 meses com características de bebê de alta demanda. Não tenho rede de apoio e estou desempregada.


Este texto foi revisado por Luiza Gandini.

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