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Hoje tive que ir buscar o bebê mais cedo na creche novamente. Febre. Já tinha tido ontem à noite, mas acordou bem (depois de uma noite movimentada), resolvi levar na escola. Em dias assim, sou capaz de pagar um bom dinheiro para o telefone não tocar. Quando toca, é um terror, me bate um medo, uma tristeza! Não quero meu bebê doentinho! Não quero de novo todo o drama tylenol-termômetro-home office! E, por mais que eu odeie admitir isso, meu trabalho me preocupa.

Há alguns anos atrás, eu trabalhava na mesma empresa, em outra área. Fui ao banheiro e acabei ouvindo sem querer a conversa de outra mulher no telefone. “Entendi. Mas ele está chorando, está com dor? Quanto de febre? Ele comeu? Tá bom, como ele não está chorando, vou fazer uma reunião que tenho agora e aí busco ele daqui mais ou menos uma hora e meia.”

Eu não conhecia a mulher. Imaginei um contexto para esse lado do diálogo que eu ouvi. E não foi só uma vez que contei a história pra conhecidos, assumindo que meu contexto estava correto, e sendo bem generosa no julgamento. Onde já se viu, perguntar se ele estava chorando! Se eu fosse a mãe, até parece que ia pra tal reunião! Não interessa que não estava chorando, se meu filho precisar de mim eu vou na mesma hora, azar da reunião. Eu perco meu emprego, mas minha prioridade é meu filho.

A maternidade traz uma transformação completa, em todos os sentidos. Uma delas é algo chamado pagação de língua ilimitada. Porque hoje, quando me ligaram da escolinha do bebê, eu fiquei com o coração na mão, muito preocupada com ele. Mas também pensei no meu trabalho. Considerei deixá-lo na escola, por mais uma hora, até acabar a próxima reunião. Repeti quase que identicamente o mesmo diálogo de anos atrás.

Eu, como mãe de primeira viagem, sou um ser em eterno estado de dúvida. Nunca sei se estou dando importância de mais ou de menos para as coisas. Nunca consigo identificar até que ponto isso pode ter como consequência a total ruína da vida do meu filho. Tudo é um drama, tudo atinge dimensões gigantescas. Uma febre, se você procurar no Google, não tem nem uma definição unânime. Tem gente que fala que é 37 graus, outros esperam chegar no 39, mãe que vive no PS pq o filho suou um pouquinho. E a febre pode ser só reação da vacina, é verdade, mas sempre tem aquele medinho no cantinho da cabeça de que seja aquela história da meningite que você ouviu alguém contar.

Enfim. E agora? Falaram que iam medicar na escola, mas o que eu faço? Preciso ir buscar? E o trabalho? Será que é ok deixar o bebê na escola mesmo com febre? O que as pessoas geralmente fazem? O que meu chefe vai falar? De novo?

Fui buscar. Ele já estava fresquinho de novo, a febre já tinha ido embora. Mas chegou em casa e ficou de denguinho comigo, dormiu no colo e não queria sair. Eu trocaria todos os empregos do mundo por uma tarde assim. Só espero que meu chefe não encontre alguém disposto a aceitar essa troca.

 

Autora

Fernanda, mamãe de primeira viagem, aprendendo na raça com uma pagação de língua de cada vez!

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