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Uma vez eu ouvi alguém falando sobre maternidade ser o sentido da vida de uma mulher por ter tido uma experiência dolorosa e pela quase perda de uma criança e que, mesmo que não estivessem preparadas para serem mães, elas deveriam ser, pois isso é uma dádiva. Diante daquela situação, pensei que mesmo tendo nossas experiências, devemos pensar na maternidade como um todo e ter a percepção de como estamos inseridas na sociedade para obter a condição de ser materna. 

Não gosto de falar que a maternidade é um privilégio, quando está nesta condição, é sofrer preceitos e preconceitos cotidianamente por não corresponder o que é esperado dentro dos padrões sociais. Antes disso, é preciso entender a posição de classe individualmente e os privilégios de uma vida financeira, da paternidade presente, da família presente, da sua cor e etnia.

As nossas experiências precisam aparecer depois da condição da vida do outro, pois ser mãe não é apenas um ato de existência, mas de resistência, onde muitas vezes estamos inseridas em processos dolorosos do “ser mulher” antes mesmo de sermos mães. Existe aquela mulher que sofre humilhações psicológicas e físicas, que luta para estar dentro de uma universidade e aquela que briga pela sobrevivência por conta da sua cor e etnia.

Então, falar de maternidade é falar além da própria experiência, é perceber em qual estrutura a outra mulher está inserida.


Autora: Ananda Rojas, mãe da Maria Bela (05 anos), mulher periférica, 28 anos, nortista, moradora da Baixada Fluminense – RJ e estudante de graduação de Letras Português Literatura na UERJ. Resistindo em uma estrutura condensada do machismo, do sexismo e de classes elitista que se estabelecem e tendem nos afastar cada dia mais da nossa permanência na sociedade. Instagram (@rojasananda)

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