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Este texto fez parte do editorial 4ª edição “Maternidade e quarentena”, baixe gratuitamente a revista em PDF, aqui.


Enxergar o copo meio cheio no lugar do meio vazio. Olhar o lado bom ao invés do ruim. Entender que o aprendizado às vezes vem da dor. Ah, como é difícil manter o otimismo em tempos de pandemia, não?  

Confesso que tenho vivido um dia de cada vez. E que meu lado otimista já foi abalado, espancado, quase morreu. A incerteza tomou a forma da ansiedade e do medo. Medo de me infectar ou do pior, o vírus infectar as pessoas que eu amo e levá-las embora. A única coisa na vida que não sou capaz de suportar. 

Não sei quanto tempo ainda viveremos essa situação. Talvez nem todo mundo seja contaminado. Mas uma coisa é certa: a Covid-19 já abalou nossa saúde mental. Ouvi falar que médicos e enfermeiros podem sofrer no futuro de estresse pós-traumático. Os trabalhadores que precisam sair de casa todos os dias estão tomados pela ansiedade. E o isolamento deixou quem está em casa com um sentimento de solidão e tristeza, o que pode culminar com uma depressão. 

De isolamento eu posso falar com conhecimento de causa. Há três anos, eu enfrentava uma barra para conciliar um período de trabalho intenso, filhos pequenos e tarefas domésticas. E decidi dar um tempo na carreira para ficar em casa. O que idealizei no começo como um “período sabático de mãe” logo também mostrou seu outro lado. Passei a me sentir muito sozinha. Comecei a ter falta de ar e crises de ansiedade por ficar tanto tempo em casa. À medida que as pessoas sumiam da minha vida, eu sumia junto.

No ano passado, comecei a cuidar da minha saúde mental. Participei de algumas sessões de meditação e tratamentos terapêuticos alternativos. Voltei pra terapia. E para a atividade que mais amo, o yôga. 

Tudo isso, tem me ajudado muito a enfrentar o momento de agora. Tem me feito ver o copo mais cheio do que vazio, apesar desses dias longos e difíceis. Então, gostaria de deixar aqui algumas dicas para minimizar essa sensação de angústia:         

1-) Se puder, não fuja da terapia. Se você tiver um terapeuta que atenda online e tenha condições financeiras de manter a terapia neste momento, siga em frente.

2-) Mantenha o contato social. Mensagens, videochamadas, telefonemas. Tenha por perto as pessoas que você ama. 

3-) Um dia de cada vez. Não faça grandes planejamentos. Não se  cobre tanto. Se você é da rotina, estabeleça uma. Se você prefere dormir até tarde e ficar de pijamas o dia todo, fique. Faça o que te faz bem.

4-) Atividades culturais. Livros, filmes, séries, músicas, dança, desenho, pintura. Sou da opinião de que a arte sempre salva o ser humano! 

Hoje, mesmo com as dificuldades, posso dizer que ainda estou no time
dos otimistas. Porque acredito no velho mantra ensinado para as mães de primeira viagem “vai passar”. Sim, vai passar.

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