Conselhos para minha filha

Charming portrait of a mother holding her daughter outdoors, showcasing love and connection.

Para Clara Lua, minha menina enluarada

Minha menina, deixe-me te preparar para um momento que, mais cedo ou mais tarde, virá. Quero te preparar não para que memorize um jeito certo de vivenciá-lo. Não, a vida não funciona assim. As coisas não acontecem exatamente como imaginamos e, sabe, minha filha, essa é a verdadeira beleza da vida.

Quando falo em te preparar, falo em te mostrar que existem muitas e muitas maneiras de pensar. As pessoas são únicas, e cada uma é um universo inteiro de particularidades. E o mais importante diante disso é você respeitar. Não todas as formas de pensar, porque algumas não merecem respeito algum, já que violam liberdades e naturezas. Falo de respeitar o direito de cada pessoa pensar o que quiser, ainda que algumas dessas pessoas, mesmo pensando tanta feiura, acreditem que a liberdade de expressão lhes dá o direito de falar tudo, tudo, até aquilo que claramente deveria ser entendido como indizível, visto que discrimina, humilha, violenta.

É importante que, diante de tanta diversidade de pensamentos, você não esqueça os valores que sustentam o seu pensar, o seu existir.

Ah, minha filha, sabe por que estou te dizendo tudo isso? Porque, em alguns momentos, pessoas próximas, ou não, vão tentar diminuir sua beleza, desacreditar da sua força, da sua potência. Vão tentar desumanizar sua existência. E, quando isso acontecer (quisera eu que nunca lhe acontecesse, mas… sabemos bem que acontece), que você se lembre do quanto de amor você impulsionou desde o dia em que nasceu. Do quanto você lutou para viver… Ah, aquele corpinho miúdo e ainda em construção precisou, tão antes do tempo, aprender a lutar, a se impor…

Lembre-se de mim, sua mamãe, do seu papai, dos seus irmãos. Nossos laços foram tão mais fortalecidos com a sua chegada. Cada um de nós cresceu um tanto mais, inspirado na sua força.

E, sobre beleza, minha filha, preste atenção: poucas pessoas sabem que ser realmente belo é algo que vem de dentro, e não há filtro nem maquiagem que disfarcem qualquer alma mentirosa. Ser bonita, minha filha, tem a ver com seus princípios, seus valores, sua generosidade, sua capacidade de assumir suas falhas, de pedir desculpas e de voltar atrás. E tem a ver também com sua habilidade de compreender quando as desculpas não são necessárias.

Ser bonita tem a ver com suas crenças, suas escolhas, seus propósitos. Tem a ver com suas liberdades e descobertas, com seu respeito ao mundo e aos seres todos, com seu jeito de amar. Ser bonita tem a ver com tudo isso e muito mais. E muito pouco, ou quase nada, tem a ver com sua aparência, seu cabelo, seu andar.

Mas saiba, minha filha, é dessa beleza que muitas pessoas vão falar quando conversarem com você. E saiba, minha menininha, que você é linda do jeitinho que você é.

O tal padrão, aquele que alguns vão te apresentar para te dizer que você não cabe nele, saiba que ele é uma gaiola. Enclausura quem nele entra em um mundo de expectativas calculadas. E você, minha pequena, nasceu para voar. Voar alto, para onde quiser.

E, se, mesmo assim, insistirem em negar a verdade da sua beleza, não se demore. Despeça-se e siga seu caminho sem olhar para trás. Você vai descobrir, nessa hora, que algumas pessoas não conseguem pensar grande, não conseguem pensar para além do que a vista alcança.

E será nesse momento que você terá que ser muito sábia, porque, diante dessa descoberta, duas possibilidades se mostrarão a você: a arrogância e a humildade.

Não escolha a arrogância. Antes, prefira sempre a humildade e lamente a pequenez de tanta gente que mede o valor das pessoas pelos números que vestem, pela cor dos olhos ou da pele. E agradeça por ter aprendido, desde pequena, que valor de gente não se mede, não se quantifica. Gente é gente. É tudo igual no quesito humano e tudo diferente no quesito gente. E a diferença de cada gente é coisa de muito valor.

Lembre-se sempre, minha filha: você é linda do jeitinho que você é. Por dentro e por fora, para todos os lados e para sempre.

E, por último, mas nunca, jamais, menos importante, lembre-se de que todo o trilhar da sua existência se dará guiado por este seu corpo hoje miúdo, mas que vai crescer, ganhar novos contornos, marcas… Pois bem! Orgulhe-se dele, minha filha! Seu corpo é a morada do seu ser. E essa marquinha linda estampada no seu peito, não esqueça, é a marca da sua resistência, a marca da janela que foi aberta para ensinar seu coração a bater sempre no compasso do amor.

Da sua mamãe, que tanto te ama.

Autora: Luciana Santos

Revisora: Micaela Queiroz Redondo

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