Muita gente pensa que o networking se reduz a distribuir cartões e trocar contatos em eventos, quando, na realidade, criar uma boa rede de relacionamento exige bem mais. Para começar, não existem regras rígidas ao se relacionar com pessoas; assim, é fundamental estar aberto às possibilidades. É possível, por exemplo, participar de eventos e sair sem nenhum contato significativo, assim como pode acontecer de uma conversa rápida no estacionamento gerar negócios importantes.
Diferente das redes sociais, que prezam pelos likes e pelo número de seguidores, na vida real ainda vale a proximidade e o olho no olho. Os relacionamentos genuínos são mais importantes do que uma grande lista de contatos superficiais, pois negócios são gerados entre pessoas – e pessoas confiam e compram de pessoas. Manter uma conversa amigável, que transforma uma desconhecida em potencial cliente, é mais produtivo do que tentar atingir todas as participantes da sala. Na tentativa de divulgar a própria marca e se vender, a empreendedora atira para todos os lados e, ao final, não firma contato algum.
Quem participa dos encontros procurando benefícios rápidos costuma se frustrar, pois, como na vida, relacionamentos não nascem prontos; são construídos aos poucos, após cada conversa, cada troca, cada atitude ao longo do tempo. As conexões nascem de boas conversas, do interesse genuíno pelo trabalho da colega, do ouvir mais do que falar e de se colocar à disposição antes mesmo de precisar de algo em troca. Constância é a palavra, pois quem conhece seu trabalho hoje poderá se tornar cliente somente daqui a um ano; porém, durante esse tempo, poderá indicar seu negócio ou lembrar de você quando surgir uma oportunidade.
Antes de buscar quem pode nos ajudar, é interessante refletir sobre como nós podemos contribuir, uma vez que relacionamentos consistentes são baseados em presença, credibilidade e reciprocidade. Ao partilhar conhecimento, fazer indicações, comprar e apoiar outras empreendedoras, fortalecemos um ambiente colaborativo e, agindo assim, todos saem ganhando.
Outro aspecto valioso do networking é a possibilidade de conhecimento prévio do outro. Antes de contratar um fornecedor, indicar um profissional ou convidar alguém para uma parceria, é possível observar a postura, a reputação e a forma de se relacionar com os demais. Muitos problemas poderiam ser evitados observando com atenção os futuros parceiros. Foca-se muito em fazer conexões e construir relacionamento, e pouco se fala sobre os problemas do networking, pois nem toda conexão é uma boa conexão. Na ânsia por divulgar nosso negócio e construir parcerias, acabamos ignorando sinais importantes e, infelizmente, nem todos são bem-intencionados. Alguns sinais para observar: a pessoa promete mais do que entrega; desaparece quando surgem responsabilidades; só procura você quando precisa de alguma coisa; fala mal de antigos parceiros para conquistar sua confiança; espera reciprocidade imediata para qualquer ajuda oferecida; transforma toda interação em disputa por visibilidade.
Uma boa parceria não nasce apenas da afinidade pessoal, mas sim de confiança, clareza e reciprocidade. Escolher parceiros é mais do que uma decisão comercial; envolve escolher com quem dividiremos nosso tempo, energia, reputação e até nossos sonhos. Uma boa parceria não é construída somente do ponto de vista financeiro. É preciso um alinhamento de valores, comunicação transparente e respeito mútuo.
E como escolher boas parcerias? Não existe receita pronta, mas é interessante analisar algumas questões como: a pessoa ou empresa compartilha valores parecidos com os seus? Existe benefício para os dois lados? As expectativas estão claras? Os compromissos assumidos são cumpridos? Existe respeito pelos limites do outro? As conquistas alheias são celebradas? Existe equilíbrio na divisão de tarefas e de ganhos?
A resposta a essas perguntas costuma revelar mais do que qualquer discurso. Inclusive, muitas parcerias fracassam não porque existe má intenção de uma das partes, mas pela falta de alinhamento. Um lado espera divulgação, o outro espera vendas. Um espera uma ação pontual, enquanto o outro imagina uma relação de longo prazo. Alinhar expectativas e conversar sobre objetivos é fundamental.
Uma parceria profissional deve ser positiva, gerar crescimento e ampliar possibilidades; sobretudo, deve permitir que os envolvidos mantenham sua autonomia, identidade e respeito mútuo. Do contrário, o melhor é repensar a parceria. Saber encerrar uma parceria, recusar uma proposta ou estabelecer limites também faz parte da maturidade empreendedora. Algumas situações exigem que se dê um passo atrás para, posteriormente, seguir em frente.
Construir uma rede forte não precisa ser sinônimo de muitos contatos, mas sim de manter os contatos certos — pessoas que compartilham valores, respeitam seu trabalho e contribuem para que todos cresçam juntos. O empreendedorismo é feito de conexões, mas a qualidade dessas conexões pode ser tão importante quanto a qualidade do produto ou serviço que oferecemos.





