A sobrecarga materna é uma realidade no mundo em que vivemos. Segundo o IBGE, as mulheres dedicam em média, aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas, quase dez horas por semana a mais que os homens. Ao mesmo tempo, também conforme dados do IBGE, a presença feminina no mercado vem se intensificando a cada ano.
A combinação destes dados leva a uma conclusão simples: trabalhar fora sem compartilhar o trabalho de cuidado não é uma conquista feminina, é aumento da sobrecarga. Supondo um homem e uma mulher que trabalhem fora na escala cinco por dois, é como se essa mulher trabalhasse na escala seis por um, tendo um dia a mais de trabalho por semana (até mais) para os afazeres domésticos.
Nossa sociedade espera que a mulher trabalhe como se não tivesse filhos, e cuide dos filhos como se não trabalhasse fora. Ninguém pergunta ao pai como ele concilia a paternidade e a carreira, nem quem vai cuidar da criança quando ficar doente. Por outro lado, quando uma mãe exerce uma profissão, supõe-se que ela deve conseguir conciliar o trabalho fora de casa com a sobrecarga materna.
Não quero romantizar tal sobrecarga chamando de guerreiras ou de heroínas as mães que trabalham fora. Mas é fato que a mulher que consegue equilibrar esses dois (ou múltiplos) pratinhos no ar, tem uma capacidade acima da média. Considerando a média como a capacidade dos homens, que em sua grande maioria não conseguem conciliar tais demandas simultaneamente.
Já a mulher que concilia a maternidade, a profissão e ainda ser líder no trabalho, ela se encaixa no conceito de anti-frágil, segundo o livro “Anti-frágil: coisas que se beneficiam com o caos”, de Nassim Nicholas Taleb. Comparando alguns conceitos, o frágil quebra ou se deteriora sob pressão, o resiliente/robusto resiste a choque e volta ao seu estado original, e o anti-frágil não apenas resiste às adversidades, mas evolui, cresce e se fortalece com o caos.
Isto é, a mãe que exerce uma liderança profissional transformou sua dificuldade em evolução e crescimento, se tornando uma profissional ainda melhor do que antes. Ela aplica o aprendizado do gerenciamento de sua família no exercício da liderança de sua equipe. Transforma as múltiplas demandas em habilidade de trabalhar sob pressão, ou em planejamento integrado de necessidades. Enxerga os benefícios de liderar pelo exemplo, assim como ensina e inspira seus filhos pelo exemplo. Essa mulher é capaz de transformar o fardo da sobrecarga em seu superpoder.
Espero que nossa sociedade evolua no compartilhamento do trabalho de cuidado entre homens e mulheres, pais e mães. Até que isso aconteça o melhor conselho para os profissionais que buscam sucesso em cargos de gestão é: Lidere como uma mãe.
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