Coluna – As alegrias de uma mãe preta 

A mother and daughter in matching outfits enjoy a sunny walk in a lush green park.

Vamos falar das alegrias de uma mãe preta?

Acho que é preciso. Diria mais: diria que é precioso!

Porque se fala tanto da luta, do cansaço, da resistência — e tudo isso é real —, mas há também aquilo que floresce no meio de tudo isso.

Há alegria.

Há orgulho.

Há brilho no olhar.

Ela luta, sim.

Mas luta para ver a cria brilhar.

E, quando brilha… ah, como brilha.

Seja no esporte, conquistando espaço onde muitos disseram que não caberia; seja na escola, com notas altas que carregam disciplina, esforço e noites mal dormidas; seja naquele 900 na redação, que, para muitos, é surpresa —

mas, para ela, é resultado.

Resultado de quem esteve ali.

De quem acompanhou tarefa, rotina, cansaço, desânimo.

De quem incentivou quando ninguém viu.

De quem acreditou antes de qualquer reconhecimento; seja no ingresso em uma universidade pública.

E, de novo, o espanto vem de fora.

Porque, para ela, não é milagre.

É processo.

Ela viu de perto cada etapa.

Entre estudo e afazeres de casa.

Entre sessões de terapia e momentos de lazer com os amigos.

Entre quedas e recomeços.

Ela esteve ali.

E, muitas vezes, esteve também em dois lugares ao mesmo tempo.

No cuidado.

Na provisão.

Na ausência que precisava virar presença de outro jeito.

Ela não poupou o próprio corpo.

Assumiu mais trabalho, mais cansaço, mais responsabilidades —

porque, em alguns momentos, o dinheiro também precisava chegar.

E chegou.

Chegou junto com a fé.

Ah… a fé.

Ela tem.

E não é pouca.

É aquela fé silenciosa, que sustenta quando ninguém vê.

Que acalma quando tudo aperta.

Que faz continuar quando parar parece mais fácil.

E, no tempo certo, Ele vê.

Nos pequenos detalhes.

Nos grandes momentos.

Ela vê que valeu.

Porque a alegria de uma mãe preta não é leve.

Ela é profunda.

Ela carrega história.

Carrega esforço.

Carrega atravessamentos.

Mas, ainda assim, ela chega.

E, quando chega, não pede licença.

Ela ocupa.

Ela reconhece.

Ela celebra.

Do jeito dela.

Com verdade.

Com intensidade.

Com tudo o que cabe — e o que não cabia, mas ela fez caber.

Nada mais deixa uma mãe feliz do que a própria felicidade do filho.

Ela deixa de cuidar dela mesma por um bem maior.

O filho é o seu bem maior.

Ela quer honrar o milagre que dela saiu.

O privilégio de gerar, parir e cuidar — que nem todas têm.

Ela não é perfeita — e nem pretende ser.

Mas ela quer, também, o direito de ser feliz.

Autor

  • Natalia Maria Souza Veloso

    Oiê! Sou Natália Maria Souza Veloso, ou simplesmente Net Veloso.
    Professora há quase 20 anos. Magistério, Letras e Pedagogia. Pós-graduação, mestrado e doutorado em maternidade, rs. Contadora de histórias nas horas vagas! Casada, mãe de 3. Mãe preta de 3. Passei por 4 gestações. Sonhadora! Acredito no fantástico poder da escrita! Ela me libertou! Que minhas linhas atinjam corações; que sejam acalento e coragem; resistência e luz! E que tais linhas tornem- se laços de apoio e que a representatividade se faça viva! Instagram: @netveloso

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