Tempo de leitura: 2 minuto(s)

Um filho demanda inúmeras adaptações não só na rotina da mãe, mas também na forma dela enxergar o mundo. Essa metamorfose pode ser simples ou complexa, dependendo da mãe, do filho e de todo o contexto onde eles estão inseridos. Talvez ocorra em poucos dias ou demande muitos meses. Às vezes é fácil, em outras, dolorosa. Mas, em todos os casos, é um processo necessário e viável.

Usualmente, o período de adaptação ocorre com a chegada da criança. A partir dali, a mãe vai conhecendo seu filho, aprendendo a lidar com as demandas e limitações dele, além de se reconhecer como parte daquele núcleo familiar.

Nos momentos posteriores, ajustes podem ser necessários devido à passagem do tempo e à chegada das diversas etapas do desenvolvimento infantil, mas não costumam ser mudanças inesperadas nem desestruturantes.

Talvez por isso seja tão difícil a readaptação quando as condições de um filho mudam radicalmente, sem nenhum aviso prévio, como no caso da ocorrência de um acidente ou do surgimento de uma doença, seja física ou mental.

Quando a mãe já estabeleceu uma ligação e uma forma de viver com o filho ao longo de muitos anos e, de uma hora para a outra, ambos precisam voltar à estaca zero para construir um novo relacionamento com outras bases.

Nesses casos, a sensação para a mãe pode ser de frustração, por temer que estejam regredindo. Adicionalmente, a incerteza frente ao que será possível construir é assustadora. Mas felizmente, o ser humano, por natureza, tem capacidade de se adaptar a novas condições. Principalmente as mães.

Então, ainda que essa nova transformação possa ser complexa e demandar tempo, ela também será necessária e viável. Mesmo que essa certeza seja o único pilar de sustentação que se mantenha de pé durante todo esse processo.


Este texto foi revisado por Luiza Gandini.

Artigo anteriorCOLUNA | Presencialmente. Vivas
Próximo artigoDia dos Avós: A importância do vínculo e afetividade com os netos
Marcia do Valle
É mãe, carioca e engenheira. Começou a escrever para tentar harmonizar o que sentia com o mundo que a cercava. A partir daí, nunca mais parou, publicando o seu primeiro livro em 2005, o romance 180 Graus (Editora Marco Zero). Em fevereiro de 2020, foi lançado pela Editora Adelante seu segundo livro, uma antologia de textos sobre amor, saudade, e outros sentimentos que transbordam de suas palavras: Onde guardo as bobagens que eu contava só para você?. Após escrever em blogs e diversas páginas da internet, atualmente divulga os seus textos no instagram @marciadovalleescritora.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui