Há dias eu vinha me sentindo extremamente cansada, muito além do que considero normal. Tudo o que eu queria era cair, sozinha, em qualquer canto da casa e tirar um cochilo de, pelo menos, meia hora. Queria descansar aquele corpo que estava pedindo socorro, mas eu nunca tinha tempo — era sempre cuidando da casa e do meu filho de sete meses.
Quando ele dormia, eu não conseguia descansar e ia correndo cuidar da casa, que sempre tinha o que fazer. Corria de um lado para o outro e logo meu princeso, um dos muitos apelidos que dou a ele, acordava. Tudo se repetia, era um ciclo sem fim. E eu, muito cansada e indisposta, queria que alguém olhasse para mim e dissesse: “Eu fico com o bebê enquanto você descansa um pouco”, mas isso nunca acontecia.
Eu estava ali, apática, sem vida e cansada, mas ninguém percebia, ninguém oferecia ajuda e eu nunca conseguia tirar um tempo para mim. O que muito ouvi foi: “É assim mesmo”, “A vida de mãe é dura”, “Eu criei as minhas sozinha e ninguém nunca ajudou, eu fazia tudo” e tantos outros comentários que em nada edificam.
Os dias passaram e é incrível como as pessoas não dão atenção nem abrigo para uma mãe cansada. É como se, para ser uma boa mãe, você precisasse estar sempre com olheiras, aspecto de cansada e dando conta de tudo. Querer ajuda chega a ser, muitas vezes, algo malvisto. Como chegamos a esse ponto? Como permitimos que uma mãe chegue ao limite da exaustão para, quem sabe, ser vista?
Pois bem, continuei com o cansaço excessivo. Mas estava tudo bem, afinal, “é coisa de mãe mesmo”. Até que, por volta das duas da manhã, comecei a sentir um desconforto nas costas e não consegui encontrar uma posição para dormir. Assim permaneci o resto da madrugada e começo da manhã, sem melhora.
Fui ao hospital, tomei medicamentos e fiquei fora de casa por volta de três horas. Depois de muito tempo, essa foi a primeira vez em que consegui descansar; sim, mesmo com dor e em um hospital, eu consegui descansar meu corpo, que há muito tempo pedia socorro e ninguém dava atenção. Cheguei em casa, tomei banho e deitei novamente, ainda sentindo dor e com um filme passando na cabeça: “Meu Deus, eu precisei ficar doente para que todos olhassem para mim e me ajudassem? A casa estava de pé, meu filho estava alimentado e cheiroso, e todos conseguiram um tempo para me ajudar?”
Passei três dias entre idas e vindas ao hospital, até que os exames apontassem um problema no rim. O que mais me surpreendeu foi ver que a vida continua acontecendo normalmente enquanto você está em um leito de hospital, ou conseguindo descansar doente na sua cama. Fiz o tratamento, me recuperei e o que me deixou mais triste foi constatar que a maternidade é solitária.
Mãe, você não deve dar conta de tudo sozinha; você é forte, mas seu corpo tem limites que, se não forem respeitados, podem levar você ao colapso. Pessoas, olhem para uma mãe, acolham, ofereçam um ombro amigo, ajudem na limpeza da casa, fiquem com o bebê para que ela possa tirar um cochilo ou tomar um banho. Abrace uma mãe!
E mães, cuidem de outras mães.
Que não seja preciso uma de nós chegar a um leito de hospital para finalmente ser acolhida.
Autora: Cícera Simão – @acicerabenedita
Revisora: Yhasmin Viriato





