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A culpa materna está tão enraizada na nossa cultura que até quando não a sentimos, ela está presente. Nos corroendo lá no fundinho. Recentemente me dei conta que me sinto culpada por não sentir culpa! Como assim? Eu explico!

Muitas vezes tomamos atitudes e decisões que não são dignas do prêmio de “mãe do ano”. Pelo menos eu tenho meus pecados de “menas mãe”: às vezes eu deixo comer miojo no almoço ou bolacha recheada no jantar; deixo ele dormir sem banho porque pegou no sono no carro; esqueço de mandar a tarefinha da escola; esqueço que não tem mais meia limpa; deixo os brinquedos espalhados pela casa de um dia para o outro.

Tem dia que a culpa me pega! Penso que não sou a mãe que meu filho merece. Que eu deveria me esforçar mais. Que ele merecia mais dedicação. Mas tem dias que, sinceramente, não sinto a menor culpa. 

Tem dia me dou ao luxo de hidratar meus cabelos enquanto deixo ele assistindo um desenho não muito educativo – mas que prende a atenção dele que é uma beleza! Eu sinto que tenho direito de descansar em vez de limpar a casa. E tudo bem se eu fingir que não estou vendo aqueles brinquedos espalhados pela casa.

De uns anos para cá começou-se a se falar sobre os pesos da maternidade real. Saímos de uma geração onde as mulheres fingiam ser mães perfeitas. Fingiam não ser sobrecarregadas. Como se fosse quase um pecado assumir em voz alta que ser mãe cansa para caramba.

Hoje em dia, pelo menos nos meios feministas, a maioria das mães já vêm assumindo a carga – física e mental – que sentem. E assumem a culpa que sentem por não preencher as expectativas suas ou de seus familiares. Sabem que são expectativas irreais, mas no fundinho queriam ser aquela mãe perfeita. Quem não queria, não é mesmo?

Mas o que acontece quando não sentimos culpa? Quando não sentimos culpa por tomar decisões que privilegiem sua sanidade mental? Porque vou te contar uma coisa: não sinto remorso. Coloco minha cabeça no travesseiro e não perco o sono pensando na louça suja que ficou na pia.

E é nesse momento que minha mente parece que me prega uma peça. Quando menos espero, estou me sentindo culpada por não sentir culpa! Como eu ouso não sentir culpa por ter deixado seu filho assistindo horas de desenho essa noite? Só porque eu estava com dor de cabeça? Uma mãe decente iria estar, pelo menos, se remoendo de remorso!

Ah, a culpa materna! Essa danadinha. Sempre dá um jeito de se intrometer onde não é chamada.  Pois, minha querida companheira de todas as horas, te aviso que vou continuar ousando. Vou ousar escolher não ser a melhor mãe o tempo e não vou sentir culpa por isso. E você que se acostume com isso.

Autora: Raíssa Brundo de Freitas – Mãe do Benício, advogada por formação, escritora por paixão. – @inquietacoesdeumamae

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