Poesia – Ser mãe

Ser mãe é carregar no peito um amor
que transforma o cansaço em coragem
e faz de cada pequeno abraço um recomeço.

É acordar antes do sol,
quando a noite ainda penteia
as sombras sobre a janela,
e escutar, no menor suspiro,
a música secreta da vida
pedindo colo, calor e presença.

É conhecer diferentes choros:
o que anuncia fome,
o que procura abrigo,
o que se assusta com o mundo,
o que apenas deseja ouvir
uma voz dizendo baixinho:
“Estou aqui, meu amor, estou aqui.”

Ser mãe é aprender a caminhar
com o coração fora do corpo,
seguindo passos pequenos
por corredores, ruas e sonhos,
enquanto o medo, companheiro antigo,
tenta fazer morada
nas dobras da preocupação.

É preparar o alimento,
a roupa, a cama, a esperança,
e esconder, quando possível,
as próprias lágrimas cansadas,
para que o filho encontre no rosto
um céu capaz de espantar
a tempestade de qualquer dia.

Mas ser mãe também é admitir
que nem sempre se sabe o caminho,
que há perguntas sem resposta,
noites longas e decisões difíceis,
e que a força não é ausência de medo:
é continuar amando
mesmo quando as mãos tremem.

Ser mãe é descobrir que o tempo
não passa apenas no relógio;
ele cresce em fotografias,
em sapatos deixados na porta,
em desenhos tortos na geladeira,
nas primeiras palavras pronunciadas
como sementes lançadas ao vento,
nos aniversários que chegam
trazendo orgulho e saudade.

É celebrar cada conquista,
mesmo aquela que ninguém percebe:
o primeiro sorriso,
a colher levada à boca,
o medo vencido,
a porta aberta,
a volta para casa
depois de um dia difícil.

É ensinar que o mundo pode ser duro,
sem deixar que a ternura desapareça;
é oferecer raízes e asas,
um lugar seguro para retornar
e liberdade para partir,
porque amar profundamente
também é preparar o coração
para ver o outro florescer longe.

Ser mãe é ser casa,
mas não uma casa de paredes imóveis:
é ser janela em manhã clara,
ponte sobre águas agitadas,
luz acesa no fim da estrada,
farol que não impede a viagem,
mas ajuda a encontrar
novamente o próprio norte.

É guardar no silêncio
as histórias que só o abraço conhece,
as febres atravessadas,
os segredos confiados,
os perdões concedidos,
as pequenas batalhas vencidas
sem testemunhas ou aplausos.

E quando o filho cresce,
quando já não cabe inteiro no colo,
o amor não diminui:
transforma-se em bênção,
em espera, em presença,
em uma saudade doce
que sabe respeitar distâncias
sem jamais abandonar o vínculo.

Ser mãe é carregar no peito
um universo inteiro,
mas compreender, dia após dia,
que não se trata de possuir estrelas;
trata-se de ajudá-las a brilhar,
de cuidar da chama,
de ensinar ao coração
que todo amor verdadeiro
é cuidado, coragem e liberdade.

Por isso, quando a vida pesar,
quando o cansaço parecer maior
que todas as forças do mundo,
que cada mãe se lembre:
seu amor não precisa ser perfeito,
precisa ser sincero e presente.

Porque, no fim de cada jornada,
um abraço ainda pode dizer
o que nenhuma palavra alcança:
que existe um lar no peito,
que existe perdão para recomeçar,
e que amar, apesar de tudo,
é a mais bonita forma de permanecer.

Escrito por: Keyth Martins – @keythcm

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